abril 15, 2026
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15/04/2026

Justiça do Rio bloqueia R$ 8,6 milhões de contas ligados à prefeita de Guapimirim por suspeitas de irregularidades em contratos de saúde

A Justiça do Rio determinou o bloqueio de mais de R$ 8,6 milhões em contas vinculadas à prefeita de Guapimirim, Marina Rocha (Agir), e a outros indivíduos investigados por suspeitas de irregularidades em contratos na área da Saúde. A decisão também afastou o pregoeiro do município e suspendeu, de forma cautelar, as atividades da empresa envolvida no caso.

A medida foi determinada após solicitação do Ministério Público do Estado do Rio, que investiga possíveis fraudes em processos de licitação para exames na rede pública municipal. A investigação aponta que os contratos teriam sido direcionados à empresa Speed Meg, considerada incapaz de atender às exigências para a execução dos serviços. De acordo com a denúncia, a contratação ocorreu em um processo de licitação que, em outubro de 2024, firmou um contrato de aproximadamente R$ 8,8 milhões para procedimentos de diagnóstico por imagem, sem ampla divulgação ou participação de múltiplos concorrentes, conforme previsão legal. Além disso, a investigação sinaliza que a empresa não tinha equipe suficiente registrada na época.

Após recomendações do MP e uma reunião para esclarecimentos, a prefeitura realizou novo procedimento licitatório, em maio de 2025, resultando na contratação da mesma empresa por R$ 8,6 milhões. Os bens de Marina Rocha, do pregoeiro Philipe Gomes Pereira, do ex-vereador Iram Moreno de Oliveira — apontado como sócio de fato da empresa —, da filha do ex-parlamentar, Mêllanie da Costa Oliveira, e de uma funcionária da Speed Meg também foram bloqueados. A decisão judicial determinou o afastamento imediato do pregoeiro, estabeleceu um prazo de três meses para a suspensão das atividades da firma e buscou garantir que a administração municipal cumprisse com os procedimentos formais de contratação, preservando os serviços de saúde.

Segundo o Ministério Público, há sinais de um esquema estruturado na condução das licitações na cidade. A análise aponta ainda que a Speed Meg tem atuado há cerca de uma década fornecendo exames de média e alta complexidade na localidade, com suspeitas de sobrepreço nas contratações e de não possuir estrutura própria suficiente para realizar os procedimentos sem recorrer a terceiros, o que favoreceria a simulação do cumprimento das exigências legais. As investigações continuam em andamento, e os envolvidos agora respondem por improbidade administrativa.

Em resposta, a empresa declarou estar à disposição das autoridades e afirmou que nenhuma de suas contratações com o setor público apresentou superfaturamento. Ainda segundo a clínica, até o momento, não recebeu notificações oficiais e pretende apresentar defesa judicial. A Prefeitura de Guapimirim ainda não se posicionou oficialmente, enquanto os contatos dos demais investigados permanecem não encontrados. O processo judicial segue em tramitação.


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