Um incidente ocorrido em Niterói levantou discussões sobre o direito de comunicação entre pacientes e familiares em procedimentos médicos invasivos. Após um acidente de moto, o jovem Igor Pereira de Mendonça, de 20 anos, não conseguiu manter contato com parentes antes de passar por uma cirurgia de emergência, o que gerou uma iniciativa legislativa na cidade.
Na manhã de 22 de março, Igor, conhecendo como “Soldado Mendonça 476”, sofreu uma queda na Avenida Prefeito Sílvio Picanço, em Charitas, em frente ao Corpo de Bombeiros. O impacto resultou em um trauma abdominal grave. Bombeiros atenderam a vítima no local e a levaram para o Hospital Estadual Azevedo Lima, no Fonseca, onde esteve consciente por algum tempo. A família relatou que o jovem precisou ser submetido a uma cirurgia e intubado, no entanto, não resistiu e faleceu três dias após o acidente.
A mãe e tia de Igor, ambas profissionais de saúde, relataram o luto intenso causado pela impossibilidade de uma despedida adequada. Segundo ela, a ausência do contato final foi um dos elementos que motivaram uma mobilização familiar para promover mudanças na legislação local. A intenção é garantir que, em situações de procedimentos invasivos de risco, os pacientes possam estabelecer comunicação com seus familiares antes de serem sedados.
Inspirado pelo episódio, o vereador Leonardo Giordano (PCdoB) apresentou na Câmara Municipal um projeto de lei que visa assegurar esse direito. O documento prevê que hospitais públicos e privados de Niterói deverão garantir o contato prévio entre paciente e familiares antes de procedimentos de alta complexidade, como a intubação, preferencialmente de forma presencial. Caso isso não seja possível, alternativas tecnológicas como videochamadas ou ligações telefônicas poderão ser utilizadas.
A proposta ressalta que a comunicação deve ocorrer sempre que a condição clínica do paciente permitir, ressalvadas as situações de urgência em que qualquer atraso possa comprometê-lo. Além disso, o projeto não interfere na autonomia dos profissionais de saúde para decidir sobre a realização de procedimentos em situações emergenciais. O objetivo é estabelecer a comunicação como um direito, tornando-se uma medida de humanização do atendimento.
Igor, filho único, era descrito como um jovem responsável, carinhoso e de bom humor. Sua trajetória incluía o sonho de carreira nas Forças Armadas e planos de estudar para consolidar sua estabilidade financeira. Recentemente, havia adquirido um computador gamer para lazer e estudos, demonstrando seu espírito dedicado ao futuro.
A iniciativa de lei encontra na família de Igor um apoio emocional, com expectativa de que a tramitação avance e a medida seja implementada. Os responsáveis consideram a proposta uma forma de preservar a dignidade e o respeito em momentos de grande vulnerabilidade, oferecendo esperança de que outras famílias tenham a oportunidade de uma despedida mais humana em eventos similares.
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