As linhas de transporte intermunicipal 445 e 446, que conectam o Engenho Pequeno, em São Gonçalo, ao Terminal João Goulart, em Niterói, enfrentam frequentes problemas de superlotação, atrasos e descaso com os passageiros. Mesmo com o crescimento populacional na região, os usuários relatam que o serviço mantém-se defasado em relação à demanda, especialmente aos finais de semana e feriados.
Essas rotas representam uma das principais opções de deslocamento para milhares de moradores, mas a experiência cotidiana tem sido marcada por longos intervalos entre os ônibus e superlotação constante. Moradores afirmam que o transporte tem se deteriorado ao longo dos anos, com dificuldades adicionais nos horários de pico, entre 6h e 8h e por volta das 17h, quando os pontos de embarque ficam congestionados e os veículos lotados até a capacidade máxima.
A rotina dos passageiros também tem sido afetada, levando a mudanças de horários pessoais, com a necessidade de sair com antecedência para evitar atrasos, além de episódios de isolamento, como o relato de uma moradora que precisou que seu marido fosse buscá-la devido à ausência de ônibus durante um fim de semana inteiro.
Nos horários de maior movimento, a situação se torna mais crítica, especialmente aos sábados, domingos e feriados, quando há dias em que os veículos sequer passam pelos pontos, obrigando os usuários a enfrentarem filas longas e esperas que podem superar os 45 minutos indicados por aplicativos de monitoramento. Essa condição tem alimentado a demanda por alternativas, incluindo propostas de reforço de horários ou a criação de novas linhas, para ampliar a oferta de transporte.
O problema é reconhecido pelos próprios passageiros, que apontam que há anos a situação permanece inalterada, com poucos sinais de melhorias efetivas. Alguns moradores tentam minimizar o impacto, utilizando estratégias temporárias, como colocar cadeiras nos pontos de embarque para aliviar o sofrimento maior durante as esperas.
A empresa responsável pelo serviço, a Viação Galo Branco e Estrela, afirmou estar cumprindo o quadro de horários estabelecido pelo órgão regulador estadual, apesar das reclamações. A concessionária também esclareceu que fatores externos, como problemas de segurança na região, podem ocasionar atrasos e interrupções nas viagens, incluindo casos recentes de sequestro de ônibus utilizados em barricadas, com posterior suporte policial para recuperação dos coletivos.
O órgão fiscalizador estadual, o Departamento de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (Detro-RJ), ainda não se posicionou oficialmente sobre as denúncias de irregularidades e dificuldades enfrentadas pelos usuários dessas linhas.
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