A livraria brasileira, fundada no Rio de Janeiro, mantém-se como uma exceção em meio ao fechamento de redes do setor no país. A expectativa é de que a empresa alcance uma receita de R$ 154 milhões em 2026, representando um incremento de aproximadamente 10% em relação ao faturamento do ano anterior.
Fundada na década de 1980 pelo empresário Rui Campos, a rede atualmente conta com 15 unidades, localizadas tanto no Brasil quanto no exterior, e emprega cerca de 300 funcionários. Apesar do crescimento do comércio eletrônico, a estratégia da companhia permanece focada na operação de lojas físicas, que continuam sendo o principal canal de negócios.
A trajetória da Livraria da Travessa remonta a 1975, quando Rui Campos mudou-se de Minas Gerais para trabalhar em uma pequena livraria em Ipanema, no Rio de Janeiro. O espaço, com aproximadamente 24 metros quadrados, transformou-se em ponto de encontro de artistas e escritores durante o período da ditadura militar, consolidando-se como um espaço de resistência cultural.
A marca foi oficialmente criada em 1986, com a abertura de uma unidade na Travessa do Ouvidor, no centro do Rio. O crescimento ocorreu de forma gradual, abrindo novas lojas na cidade do Rio de Janeiro, além de unidades em cidades como São Paulo, Brasília e Ribeirão Preto. Em 2019, a presença internacional foi consolidada com a inauguração de uma loja em Lisboa, seguida por uma unidade na cidade de Porto Alegre.
Apesar de sua expansão, a estratégia de crescimento nunca foi pautada por planos rígidos. Rui Campos destacou que a quantidade de lojas foi aumentando de forma espontânea, cada uma com sua própria história. Para o próximo ciclo, a empresa trabalha na negociação de três novas unidades programadas para abrir em 2027, incluindo pontos em ruas comerciais e centros comerciais.
A permanência das lojas físicas, apesar do crescimento do digital, é atribuída ao comportamento do consumidor. Segundo Campos, a maioria das compras ocorre por descoberta do próprio espaço, e não por pesquisa prévia. Dados do setor indicam que mais de 80% das vendas são realizadas no interior da loja, com consumidores entrando sem uma compra planejada e encontrando livros que despertam interesse no momento.
Dados recentes apontam que o mercado de livros digitais representa uma fatia inferior a 10% do total no Brasil, o que reforça a relevância do livro impresso para a operação das livrarias físicas. Além dos livros, a rede diversifica sua receita com produtos de papelaria, que representam cerca de 10% das vendas, além de discos, CDs e DVDs, que respondem por aproximadamente 4%. A preferência pelo retorno dos vinis também é notável nas unidades.
A experiência de compra diferenciada inclui cafés internos, auditórios e espaços de convivência, além de eventos como lançamentos, cursos e encontros com autores. Para Rui Campos, o objetivo da livraria extrapola a simples venda de livros; trata-se de um espaço de encontro e troca de ideias entre leitores.
Embora não haja previsão de novas inaugurações em 2026, a empresa se prepara para expandir, com negociações em andamento para novas lojas no futuro próximo. O modelo de operações físicas permanece forte no Rio de Janeiro, resistindo às dificuldades do setor e às mudanças do mercado.
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