Marcela Galvão dará seu primeiro solo em teatro no Rio de Janeiro, com sessões às terças-feiras de maio no Teatro Municipal Café Pequeno, localizado no Leblon. A trajetória da artista, com mais de vinte anos de carreira, revela uma conexão profunda com a arte desde a infância, passando pelo teatro, ensino e escrita até alcançar o humor.
Filha de uma professora de Português, ela teve contato frequente com atividades culturais, como visitas a teatros e museus. Em seu ambiente familiar, o humor sempre esteve presente, reforçando uma infância marcada por brincadeiras, leitura e leituras lúdicas. Apesar do envolvimento com atividades artísticas, ela optou por uma formação acadêmica em Letras na UFRJ, ingressando na carreira de educadora, atuando em uma escola estadual de Niterói. Foi durante esse período que consolidou seu interesse pelo humor, atividade que passou a aprofundar-se especialmente na pandemia, com estudos em técnicas de stand-up e escrita cômica.
Em 2021, ela decidiu transferir-se para São Paulo, deixando para trás a estabilidade do Rio de Janeiro. O objetivo era entender melhor o mercado de comédia, estudar e buscar oportunidades. Essa mudança resultou em novos projetos, incluindo roteiros e participações em trabalhos editoriais na área de humor. Segundo ela, o maior desafio dessa fase foi lidar com a instabilidade, porém a paixão pela arte mantém sua motivação.
Seu método criativo é fundamentado na observação do cotidiano e na relação com as palavras. Ela destaca a importância de detectar situações comuns, dar uma nova perspectiva a elas e transformar essas percepções em textos. A experiência de palco contribuiu para a marca de seu trabalho, que também inclui uma técnica inusitada: falar de trás para frente. Essa habilidade, inicialmente uma brincadeira, ganhou espaço em seu espetáculo solo após ser bem recebida pelo público, consolidando um estilo próprio.
Ao falar sobre o papel das mulheres na comédia, ela reconhece avanços, mas aponta que ainda há obstáculos culturais e estruturais. Ela acredita que a presença feminina nos palcos tem crescido, com maior diversidade e protagonismo, embora o preconceito continue a persistir, principalmente fora do ambiente profissional. Para ela, o talento e a qualidade artística não devem ser julgados pela questão de gênero.
Hoje, a artista busca ampliar sua presença na cena do humor, com o objetivo de alcançar um público maior, conquistar espaços mais relevantes e inspirar outras mulheres a seguir o mesmo caminho. Ela aconselha quem deseja ingressar na área a estudar, escrever, testar novos materiais e cultivar paciência, ressaltando que o processo é artesanal, mas recompensador.
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