outubro 21, 2026
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21/10/2026

Maricá mantém transporte gratuito há 12 anos; proposta federal visa ampliar tarifa zero no país

Maricá, município da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, mantém há 12 anos um sistema de transporte público gratuito, atendendo cerca de 3,5 milhões de passageiros mensais. Este modelo é financiado por recursos municipais, incluindo receitas oriundas da exploração do petróleo, e contempla toda a frota de ônibus, além de outros meios de mobilidade, como bicicletas compartilhadas e vans. Atualmente, a operação envolve aproximadamente 157 veículos distribuídos em 49 linhas, funcionando diariamente, sem cobrança de passagem.

Recentemente, o governo federal apresentou uma proposta de emenda à Constituição com o objetivo de financiar a gratuidade do transporte coletivo em todo o país durante fins de semana e feriados. A proposta reserva pelo menos 26,8% das emendas parlamentares impositivas para custear o programa, estimando um aporte de cerca de R$ 12 bilhões anuais, a partir do orçamento previsto para 2027. No entanto, a implementação dessa iniciativa enfrenta o desafio de encontrar fontes de financiamento sustentáveis, considerando que a experiência de Maricá depende de receitas extraordinárias de petróleo, recurso não disponível para a maioria das cidades brasileiras.

A experiência municipal demonstra que, apesar de viável a operação de um sistema gratuito, os custos envolvidos compreendem manutenção, operação, aquisição de veículos e pagamento de pessoal. Em 2024, essa despesa foi estimada em R$ 120 milhões, com previsão de aumento para R$ 160,6 milhões em 2025, orçamento que cobre também outras atividades de mobilidade geridas pela prefeitura. Mesmo assim, esses valores representam uma fração do custo total estimado para o transporte gratuito no país, que poderia chegar a aproximadamente R$ 90 bilhões ao ano caso fosse ampliada para toda a nação, segundo estudo de uma associação do setor.

A sustentabilidade financeira de Maricá, e de outras cidades que oferecem tarifa zero, está vinculada à disponibilidade de receitas de royalties e participação especial decorrentes da exploração petrolífera. Países com menor arrecadação ou sem receitas extraordinárias similares enfrentariam dificuldades para manter tal sistema apenas com recursos locais. Além disso, a implementação de uma política nacional exigiria uma ampla reorganização das fontes de financiamento, envolvendo várias esferas do poder público, além de planejamento estratégico para expansão de frota e manutenção da qualidade do serviço.

Em relação ao impacto econômico, a gratuidade no transporte tem proporcionado economia aos seus usuários. Para uma tarifa média estimada em R$ 5,21, a população economiza cerca de R$ 127 milhões de janeiro a agosto de 2025, valor que pode ser direcionado ao consumo em outros setores. Pesquisas indicam ainda que a ausência de tarifas pode impulsionar a geração de empregos e estimular a atividade econômica local, embora essa relação dependa de fatores específicos de cada município.

A proposta do governo federal ainda precisa passar pelo crivo do Congresso Nacional. Caso aprovada, ela poderá alterar de forma significativa o cenário do transporte urbano no país, reduzindo a dependência do pagamento individual de tarifas e ampliando os recursos públicos destinados ao setor. Ainda assim, o sucesso de uma política de ampla abrangência depende de um planejamento financeiro sólido, capaz de garantir a continuidade e eficiência dos serviços, além do acesso universal dos cidadãos ao transporte público gratuito.


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