O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, inaugurou neste sábado (27) a primeira Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Sistema Único de Saúde (SUS) equipada com tecnologia inteligente, instalada no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, no Rio de Janeiro. A iniciativa marca o começo de uma rede nacional de UTIs com recursos avançados, integrando sistemas digitais, conectividade e análise de dados para aprimorar a assistência médica e auxiliar na tomada de decisões clínicas.
A implementação visa posicionar o SUS ao nível de referências internacionais na Europa e Ásia, oferecendo atendimento gratuito com uso de tecnologia de ponta. Segundo o ministro, a conexão dos sistemas de monitoramento permite uma detecção precoce de alterações clínicas, possibilitando intervenções ágeis e evitando agravamentos, o que deve favorecer a recuperação e reduzir o tempo de permanência na unidade de terapia intensiva. Além disso, a iniciativa contempla maior rotatividade de leitos e diminuição na fila de espera por esse tipo de atendimento.
Investimentos que ultrapassam R$ 180 milhões tornam possível a utilização de inteligência artificial para sinais de risco, além de alertas sobre o estado do paciente. Os dados mais relevantes são exibidos diretamente nos prontuários eletrônicos, e as ambulâncias equipadas com tecnologia 5G transmitir sinal vital em tempo real, acelerando o atendimento pré-hospitalar. Também estão previstas a incorporação de cirurgia robótica, medicina de precisão e análises com IA para melhorar procedimentos e eficiência dos serviços.
A unidade no Rio de Janeiro será uma das sete instituições iniciais do projeto, que também inclui hospitais em Amazonas, Distrito Federal, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco e Porto Alegre. Cada hospital receberá 10 leitos de terapia intensiva conectados ao sistema inteligente, totalizando 60 leitos na fase inicial.
A inauguração constitui uma etapa importante na modernização da saúde pública brasileira, podendo servir de modelo para expansão futura. Com a validação dessa fase, o governo planeja ampliar a quantidade de leitos inteligentes para 280 em 14 unidades distribuídas por 13 estados. Outras instituições, como o Hospital Federal do Bonsucesso, também devem fazer parte do projeto ampliado.
Além das UTIs, a Rede Nacional de Hospitais Inteligentes do SUS recebeu um aporte de R$ 4,8 bilhões voltado à instalação de um hospital de alta tecnologia, além do desenvolvimento de centros de pesquisa e modernização de unidades hospitalares de excelência. Dentro dessa estratégia, foi firmado um contrato de R$ 1,7 bilhão com o Banco de Desenvolvimento do BRICS para a construção do Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente, ligado ao Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. Previsto para funcionamento em 2027, o equipamento será o primeiro hospital público totalmente digital voltado para urgência e emergência, com capacidade para atender cerca de 20 mil pacientes anuais e disponibilizar 800 leitos nas áreas de neurologia, cardiologia e outras especialidades críticas.
No mesmo hospital, também foi inaugurado um acelerador linear de radioterapia, que recebeu R$ 3,4 milhões de investimento para atender aproximadamente 100 pacientes por mês. A nova estrutura reduzirá o tempo de espera pelo tratamento oncológico e facilitará a formação de profissionais especializados na área. O acelerador faz parte do programa “Agora Tem Especialistas”, que busca ampliar e qualificar o acesso aos procedimentos de radioterapia no país.
As ações reafirmam o compromisso do Ministério da Saúde na expansão e modernização do atendimento oncológico e do sistema de saúde pública, buscando maior eficiência, agilidade e inclusão no acesso a tratamentos de alta complexidade.
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