junho 10, 2026
junho 10, 2026
10/06/2026

Ministério Público denuncia influenciadora Deolane Bezerra por lavagem de dinheiro ligada ao PCC

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) apresentou denúncia contra seis pessoas, acusando-as de integrarem uma organização responsável por lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Entre os envolvidos estão a advogada e influenciadora Deolane Bezerra, além de Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, apontado como líder da facção.

De acordo com o Gaeco, o grupo teria criado uma estrutura financeira que permitia ocultar e reinserir recursos provenientes de atividades ilícitas do PCC na economia formal. A investigação indica que a operação funcionou aproximadamente entre 2018 e 2025, por meio de uma empresa de transporte administrada por Ciro Cesar Lemos, anteriormente condenado por organização criminosa.

As apurações revelam que Lemos recebia ordens de Marcola e de Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, irmão do líder da facção, para distribuir os valores às pessoas da rede. Participavam também do esquema Everton de Sousa, considerado operador financeiro, além dos filhos de Alejandro, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Paloma Sanches Herbas Camacho. Ambos os filhos estão atualmente foragidos no exterior e supostamente recebiam parcelas do dinheiro movimentado pelo grupo, sob orientação do pai. A denúncia sugere que Paloma também transmitia orientações sobre a divisão dos recursos, com base em informações fornecidas por Alejandro.

Segundo o Ministério Público, Deolane Bezerra recebia depósitos fragmentados da transportadora, usando contas bancárias próprias para dificultar a rastreabilidade do dinheiro. A acusação aponta ainda que ela planejava reorganizar seus negócios e transferi-los para fundos no exterior, como estratégia para facilitar a lavagem do dinheiro proveniente das atividades ilícitas do PCC. Everton de Sousa foi apontado como operador financeiro responsável por monitorar a circulação dos recursos e por prestar contas aos demais envolvidos.

No momento, Deolane Bezerra permanece presa, enquanto seu pedido de habeas corpus foi indeferido pela Justiça nesta semana. Marcola está detido desde 1999 e Alejandro desde 2006. Apesar das prisões, o MP afirma que ambos continuam exercendo influência sobre as ações da facção por meio de advogados, familiares, outros detentos e canais clandestinos de comunicação.

Em relação à defesa, os advogados de Deolane alegaram que ela ainda não teve acesso completo à denúncia e afirmaram que ela não faz parte de organização criminosa. Quanto a Marcola e Alejandro, seus defensores ressaltaram que ambos estão em presídios de alta segurança desde 2019, dificultando seu envolvimento direto no esquema detalhado na denúncia. Eles também negaram as acusações contra os filhos de Alejandro, assegurando que as movimentações financeiras alegadas são regulares e que os detalhes serão esclarecidos ao longo do processo judicial.


Acompanhe o Rio Press para mais notícias em tempo real.

Vinkmag ad