O estudo global sobre a carga de doenças aponta que a obesidade assumiu a liderança como principal fator de risco à saúde no Brasil, ultrapassando a hipertensão, que por décadas foi a maior preocupação. Atualmente, a pressão arterial elevada ocupa a segunda posição, seguida por níveis elevados de glicemia.
A pesquisa, realizada por uma extensa rede de pesquisadores de mais de 200 países, foi publicada na revista científica The Lancet Regional Health – Americas. Ela evidencia mudanças significativas no estilo de vida da população brasileira nas últimas décadas, incluindo maior urbanização, diminuição da atividade física e aumento do consumo de alimentos ultraprocessados, ricos em sal e calorias.
Especialistas destacam que esses fatores contribuem para um ambiente obesogênico, no qual a prevalência de obesidade cresce de forma preocupante. Segundo o endocrinologista Alexandre Hohl, a condição é uma doença inflamatória e metabólica crônica, que eleva o risco de doenças como diabetes tipo 2, hipertensão, infarto, AVC e diversos tipos de câncer.
Comparando dados de 1990 com os atuais, observa-se uma mudança expressiva nas principais causas de risco à saúde. Na década de 90, hipertensão, tabagismo e poluição eram as principais preocupações, enquanto que a obesidade, que na época ocupava a sétima posição, saltou para o primeiro lugar em 2023, tendo crescido 15,3% nesse período. Outros fatores de risco apresentaram redução significativa, como poluição do ar, tabagismo, prematuridade, baixo peso ao nascer e colesterol alto. Entretanto, o risco associado ao tabagismo apresentou uma pequena alta de 0,2% entre 2021 e 2023, após anos de queda contínua.
Dentre os fatores que mais cresceram na avaliação recente, está o aumento de quase 24% na incidência de violência sexual durante a infância, que passou do 25º para o 10º lugar na lista de principais riscos à saúde.
A situação atual revela avanços e desafios na saúde pública brasileira, com a obesidade ocupando agora o maior fator de risco, enquanto outros problemas, como a poluição do ar e o tabagismo, apresentam melhorias, embora ainda demandem atenção. Novos dados irão determinar as próximas estratégias de enfrentamento.
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