Na manhã do último sábado, o Parque Estadual da Lagoa do Açu, localizado no Norte Fluminense e sob gestão do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), recebeu a visita de um grupo de especialistas em astronomia e ciências espaciais. Entre eles estavam o fundador da Explore Scientific, Scott Roberts; Fernando Fabbiani, representante da DarkSky Uruguai; e Marcelo de Oliveira Souza, físico e professor na Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF). O encontro incluiu uma observação noturna na praia do Farolzinho, uma das áreas de destaque do parque.
O local possui potencial para obtenção da certificação como Dark Sky Park, dado seu entorno geográfico favorável. A posição na planície permite uma ampla visão do horizonte, possibilitando a observação de constelações como Órion e Escorpião, que aparecem em posições opostas no céu. Além disso, a área mantém uma escuridão natural elevada, o que favorece a visualização de estrelas e planetas durante a noite.
De acordo com o gestor do parque, Samir Mansur, é estritamente proibido o uso de iluminação artificial excessiva na praia do Farolzinho. Essa medida está alinhada à Portaria nº 11 de 1995 do IBAMA, que regula a iluminação pública na região — uma estratégia importante, pois o local serve como ponto de desova para tartarugas marinhas. A redução do brilho artificial contribui para a preservação do ciclo natural desses animais e favorece a observação astronômica. Mansur afirmou que, com políticas de iluminação mais sustentável, há a possibilidade de que o parque obtenha a certificação do Dark Sky International.
Os participantes da visita também participaram do 18º Encontro Internacional de Astronomia e Astronáutica, realizado em Campos dos Goytacazes. O evento foi promovido pelo Clube de Astronomia Louis Cruls, que comemorou seus 30 anos de trajetória.
Entre as constelações observadas, destacam-se Órion, popularmente conhecida como “O Caçador”, símbolo de diversas culturas e facilmente identificável por seu cinturão de estrelas conhecido como “As Três Marias”. Também foi destaque Escorpião, uma das mais antigas do zodíaco, distinguida por seu formato em “S” com uma cauda e ferrão distintivos.
O parque mantém-se como uma referência para atividades de observação astronômica e discute a possibilidade de certificação oficial, contribuindo para a valorização de ações de conservação do céu escuro na região.
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