junho 17, 2026
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17/06/2026

Pesquisa do INCA avalia impacto dos dispositivos eletrônicos para fumar na prevenção ao tabagismo entre jovens

Uma pesquisa conduzida pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) investiga os impactos dos dispositivos eletrônicos para fumar (DEFs), como vaporizadores, cigarro eletrônico e pods, no controle do tabagismo no Brasil. O estudo busca compreender padrões de consumo, estratégias de marketing e possíveis riscos associados, com foco especial na população jovem.

O projeto, liderado pela pesquisadora Neilane Bertoni, utiliza abordagens multidisciplinares e técnicas de Ciência de Dados para monitorar o mercado digital de vendas e o comportamento dos usuários. As metodologias inovadoras incluem o uso de ferramentas como web-scraping, que automatiza a coleta de informações de sites de comércio eletrônico, além de um método de recrutamento online denominado Respondent-Driven Sampling (RDS) para mapear perfis e motivações do público consumidor. O cruzamento de dados quantitativos e qualitativos, bem como a análise de grandes inquéritos nacionais, reforçam a compreensão do panorama do consumo de DEFs no país.

Um ponto central do estudo é avaliar a hipótese do “efeito gateway”, que sugere que o uso de vaporizadores e similares poderia facilitar a iniciação ao tabaco tradicional e outros produtos derivados. Segundo a responsável pela pesquisa, Neilane Bertoni, a popularidade e a atratividade desses dispositivos entre jovens podem criar uma porta de entrada para o tabagismo, especialmente devido à percepção de serem menos nocivos, alimentada por sabores doces e aromas agradáveis. A preocupação é que, uma vez dependentes de nicotina, esses jovens possam migrar para outros produtos do tabaco, dificultando o controle das políticas de saúde públicas.

A pesquisa é apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ), que reforça a importância de estudos científicos na formulação de estratégias de prevenção, fiscalização e conscientização voltadas ao público jovem. Apesar da proibição de venda desses dispositivos no Brasil, eles continuam acessíveis por canais digitais, incentivados pelo apelo visual, pela variedade de sabores e pelas percepções de menor dano à saúde.

Com a produção de evidências, a expectativa é fornecer subsídios para ações regulatórias e educativas, orientando gestores, fiscais e profissionais de saúde na criação de políticas mais rigorosas e específicas. O objetivo é fortalecer a capacidade de resposta das instituições brasileiras frente às possibilidades de uso dos dispositivos eletrônicos para fumar, contribuindo para a redução do risco de dependência de nicotina entre as novas gerações.


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