A Polícia Civil do Rio de Janeiro identificou um esquema de exploração sexual infantil envolvendo uma organização criminosa dedicada ao aliciamento de menores, com conversas que detalham o funcionamento do grupo sendo reveladas após a quebra de sigilo de um dos investigados. As mensagens indicam negociações para recrutamento de meninas adolescentes, inclusive usando o termo “zero quilômetro” para se referir a uma vítima de 14 anos.
A investigação é conduzida pela Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (DCAV), que, até o momento, indiciou quatro indivíduos por suspeita de envolvimento na rede ilícita. Entre eles, está Cordovil Antônio Nogueira Martins, professor universitário e advogado, considerado líder do esquema, que está detido desde março de 2026. Segundo as apurações, uma empregada doméstica vinculada ao grupo enviava fotos de menores ao principal suspeito, incluindo adolescentes de 14 e 15 anos, de acordo com mensagens coletadas.
No último sábado, foram presos Luiz Alberto Martins Sobrinho, de 68 anos, na Gávea, e Mariana de Oliveira Minas, em Nova Iguaçu. Ariane Minas, filha de Mariana, está atualmente foragida. As investigações indicam que o grupo responde por crimes como estupro de vulnerável, favorecimento à prostituição e associação criminosa. Luiz Alberto também é investigado pelo armazenamento de material de abuso sexual infantil, enquanto Cordovil responde por produção, armazenamento e compartilhamento de conteúdo pornográfico envolvendo menores. Ele possui uma ação em andamento na Vara de Crimes contra Crianças e Adolescentes do Tribunal de Justiça do Rio, que decretou sua prisão preventiva.
De acordo com a Polícia Civil, a estrutura do esquema prevíamos funções específicas para os envolvidos. Cordovil era responsável pelos abusos, produção de registros e pagamento às vítimas ou suas famílias; Ariane e Mariana atuavam no recrutamento de jovens, enquanto Luiz Alberto facilitava o aliciamento, promovendo encontros em sua residência, muitas vezes com auxílio de transferências via Pix recebidas de Cordovil. A investigação aponta que ele organizava festas utilizadas como locais para exploração sexual, incluindo uma troca de mensagens em que combinava a compra de um celular para uma criança de 10 anos, indicando uma possível contrapartida pelos ilícitos.
Relatos coletados também revelam que Cordovil utilizava um projeto social ligado à Universidade Cândido Mendes para se aproximar de menores em situação de vulnerabilidade, oferecendo presentes, dinheiro e vantagens que poderiam servir de forma a obter silêncio. Essas crianças eram levadas até sua residência em carros de aplicativo ou do próprio suspeito. Há indícios de que as recrutadoras, Ariane e Mariana, também obtinham ganhos financeiros por atividades de captação, incluindo favorecimentos como organização de festas de aniversário feitas com o intuito de encobrir os abusos.
Durante as diligências, os policiais encontraram no celular de Cordovil mais de 8 mil arquivos com conteúdo sexual envolvendo menores. Segundo o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, essa quantidade de material reforça a suspeita de que há um número maior de vítimas do que aqueles já apurados. A Justiça foi acionada para fixar uma indenização mínima de R$ 500 mil por vítima identificada. Os advogados de defesa do suspeito afirmaram que ainda não tiveram acesso completo ao processo para manifestação oficial.
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