julho 2, 2026
julho 2, 2026
02/07/2026

Preço do diesel no Brasil recua pela quarta semana consecutiva, refletindo ações governamentais

O valor do diesel no Brasil apresentou sua quarta redução em um período de cinco semanas, acumular uma queda de 4,5%. Apesar do recuo, o preço médio ainda está 18,9% superior ao registrado antes do início do conflito no Irã, em 28 de fevereiro. Os dados são do monitoramento semanal da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que acompanha os preços praticados no mercado nacional.

Na semana de 3 a 9 de maio, o litro do diesel S10 foi comercializado, em média, a R$ 7,24. O painel de preços da ANP mostra que, ao longo desse período, houve uma estabilidade em uma semana e quedas sucessivas nas demais semanas, iniciando em R$ 7,57 na última semana de março e chegando a R$ 7,24 na primeira semana de maio. O aumento após o início do conflito ocorreu devido à escalada de preços iniciada após ataques ao Irã pelos Estados Unidos e Israel, ocorridos em fevereiro. Nesse período, o litro do diesel era vendido por R$ 6,09 em média, registrando um pico de R$ 7,58 na semana de 11 de abril.

A trajetória de queda recente também foi observada no diesel S500, que passou de R$ 7,45 para R$ 7,05, uma redução de 5,37% nas últimas cinco semanas. Em comparação ao período anterior à guerra, o aumento nos preços do S500 atinge 17%. O diesel S10, responsável por cerca de 70% do consumo do país e utilizado por veículos mais novos, apresenta uma menor emissão de poluentes, emitindo até 10 ppm de enxofre, enquanto o S500 libera 50 vezes mais.

A crise geopolítica no Irã causou impacto na cadeia de produção de petróleo, especialmente após o fechamento do Estreito de Ormuz, na costa iraniana, que anteriormente permitia a passagem de aproximadamente 20% da produção global de petróleo e gás natural. As tensões resultaram em interrupções no fornecimento do petróleo cru e seus derivados, levando ao aumento dos preços internacionais. O preço do barril do Brent, referência global, passou de US$ 70 para mais de US$ 100, chegando a cerca de US$ 120, impactando o mercado brasileiro, que depende de importações para aproximadamente 30% de seu consumo de diesel.

Desde o início de abril, o governo adotou medidas de estímulo ao setor produtivo, incluindo uma subvenção que oferece até R$ 1,12 por litro de diesel produzido no país e até R$ 1,52 por litro de diesel importado, condicionada à efetiva transmissão do desconto aos consumidores finais. Além disso, a zeragem das alíquotas do PIS e Cofins sobre o combustível também busca conter a alta de preços.

Especialistas atribuem o movimento de redução ao impacto dessas ações governamentais e à atuação da Petrobras, que respondeu ao aumento dos custos com reajustes controlados. A presença predominante da Petrobras no mercado de derivados — de 75,74% a 78,23% de 2023 a 2025 — também teve influência na estabilização dos preços. O pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, destaca que o ajuste de preços por parte da estatal ajudou a evitar aumentos expressivos e a manter a inflação sob controle nesse segmento.

Embora o preço do barril de petróleo Brent permaneça alto, atualizado em torno de US$ 104 na tarde de segunda-feira, os agentes econômicos demonstraram adaptação às condições atuais, resultando na desaceleração dos reajustes de preços do diesel. O cenário ainda aponta para uma continuidade de instabilidade, dado que o conflito no Irã permanece em andamento, com poucas expectativas de resolução no curto prazo.


Acompanhe o Rio Press para mais notícias em tempo real.

Vinkmag ad