abril 29, 2026
abril 29, 2026
29/04/2026

Prefeitos do Rio alertam para risco de colapso financeiro com nova votação sobre royalties

Vinte prefeitos do estado do Rio de Janeiro participaram de uma audiência pública na Assembleia Legislativa para discutir a possível revogação de uma lei que regula a divisão dos royalties do petróleo, cuja votação no Supremo Tribunal Federal está marcada para o próximo dia 6 de maio. Caso seja aprovada, a medida poderá provocar perdas financeiras significativas ao Estado e aos municípios produtores, chegando a um impacto anual estimado em até R$ 22 bilhões.

Na reunião, o presidente da Assembleia, deputado Douglas Ruas, anunciou uma próxima audiência com o ministro Edson Fachin, do STF, na qual será entregue um manifesto reforçando a defesa dos recursos de royalties destinados ao Rio de Janeiro. A iniciativa busca alertar para os riscos de uma possível mudança na legislação vigente e reivindicar uma atuação mais equitativa na distribuição dos recursos federais.

Participaram da discussão prefeitos de cidades que não produzem petróleo, além de autoridades estaduais, como o procurador-geral do Estado e o secretário de Fazenda. O documento assinado pelos prefeitos, apoiado por lideranças do legislativo e do judiciário, destaca os prejuízos e reforça a necessidade de manter a atual estrutura de distribuição dos royalties, considerada pelo governo estadual como inconstitucional sob a ótica do entendimento da Procuradoria Geral do Estado.

A legislação em questão, a Lei 12.734/12, que alterou a Lei da Partilha de 2010, prevê uma repartição de royalties que, segundo o governo do Rio, poderia causar uma redução de cerca de 40% na receita do Estado e uma diminuição de quase R$ 13 bilhões ao longo de um ano para os municípios petrolíferos. Essa mudança, se validada, obrigaria o Rio a partilhar suas receitas com demais estados, prejudicando áreas prioritárias como saúde, educação e segurança pública.

Conforme explica o procurador-geral do Estado, a aprovação da proposta pode comprometer a estrutura financeira do Rio, tendo em vista a significativa perda de recursos proveniente do royalties, cuja arrecadação atualmente beneficia predominantemente o Estado, que concentra maior parte do petróleo nacional. A crise econômica decorrente dessa redução ameaça a capacidade de o governo estadual manter serviços essenciais e manter postos de trabalho na região.

Dados divulgados indicam que, em quatro anos, o Rio deixou de arrecadar aproximadamente R$ 71 bilhões devido à sua impossibilidade de cobrar tributos sobre a exploração do petróleo. A estimativa do secretário de Fazenda aponta que a perda mensal de recursos ao Rioprevidência chegará, em média, a R$ 4,6 bilhões, enquanto setores essenciais como saúde e educação poderão sofrer cortes anuais de cerca de R$ 1,3 bilhão se a lei for confirmada como constitucional pelo STF.

A alta dependência do petróleo torna o setor uma base significativa da economia fluminense, responsável por mais de 85% das reservas nacionais e pela maior parte da produção no país. Caso a legislação seja aprovada, prevê-se a possibilidade de o Estado perder aproximadamente 311 mil empregos, refletindo o impacto na cadeia produtiva e na arrecadação de tributos.

Os representantes municipais reforçam a necessidade de manifestação unificada contra a mudança na legislação, destacando o papel dos royalties no financiamento de projetos sociais e infraestrutura essenciais à população. A mobilização prevê o uso de canais institucionais e negociações junto às instâncias superiores com o objetivo de assegurar uma distribuição mais justa dos recursos provenientes do petróleo, vital para a manutenção dos serviços públicos no estado.


Acompanhe o Rio Press para mais notícias em tempo real.

Vinkmag ad