Produtores culturais e artistas que atuam no Theatro Municipal de Niterói e outros espaços culturais da cidade enfrentam dificuldades relacionadas ao sistema de venda de ingressos utilizado pela plataforma Fever. Segundo relatos, problemas técnicos têm impedido a realização de compras por meio do aplicativo, impactando a comercialização de apresentações e dificultando o acesso do público.
Um dos exemplos recentes envolve o diretor de teatro e ator Guga Gallo, que afirma ter registrado a perda de centenas de vendas devido às falhas no sistema. Ele destaca a dificuldade de contato com a equipe responsável, já que a sede da plataforma fica em Nova York, o que acarreta obstáculos na comunicação. Gallo descreveu a situação como frustrante e afirma se sentir impotente diante do problema.
De acordo com o produtor, o principal problema ocorre na versão móvel do sistema. Ele explica que, enquanto a compra pelo site às vezes é possível, pelo aplicativo essa operação se torna extremamente difícil. Uma tentativa de aquisição na manhã de segunda-feira confirmou essa dificuldade, pois o sistema não avançava até a finalização da venda. Durante evento promocional no bairro de Icaraí, neste fim de semana, várias pessoas também relataram dificuldades semelhantes para comprar ingressos na hora, gerando angústia entre o público.
Gallo estima que a perda de vendas já seja significativa, citando a eliminação de cerca de 300 ingressos. Ele enfatiza que o prejuízo financeiro é difícil de calcular, além de mencionar que artistas com grande alcance nas redes sociais, conhecidos por montar casas cheias, estão sendo impedidos de vender entradas devido à falha do sistema.
Apesar da insatisfação com a plataforma, ele elogia o apoio recebido das equipes dos espaços culturais municipais gerenciados pela Secretaria de Cultura de Niterói e pela Fundação de Arte da cidade, que têm se dedicado a oferecer suporte e buscar soluções. Gallo reforça que a responsabilidade pelo problema recai exclusivamente sobre a Fever.
Especialistas do setor cultural também percebem que questões jurídicas podem limitar as ações da administração dos espaços, uma vez que a operação do sistema de vendas foi concedida através de licitação. Desde que a plataforma começou a atuar, produtores vêm enfrentando obstáculos contínuos.
Gallo, que possui trajetória de quase 50 anos no teatro e mais de 60 espetáculos produzidos, afirma nunca ter vivenciado uma crise similar à atual. Para contornar os efeitos negativos, alguns produtores estão realizando a venda manual de ingressos, aceitando pagamentos por Pix e comunicando-se diretamente com o teatro, buscando atender o público diante das dificuldades técnicas.
Até o momento, a Fever ainda não se manifestou oficialmente a respeito das falhas na plataforma ou sobre as medidas que pretende implementar para minimizar o impacto na venda de ingressos.
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