O governo do Reino Unido encomendou um estudo para analisar os efeitos de restrições ao uso de redes sociais entre adolescentes. A pesquisa acompanhou, por um mês, 309 famílias com jovens de 13 a 17 anos, dividindo os participantes em três grupos com diferentes limites no acesso às plataformas digitais.
No primeiro grupo, os adolescentes tiveram um limite diário de 15 minutos de uso por aplicativo. O segundo seguiu uma restrição de horário, podendo acessar as redes apenas entre 7h e 21h. O terceiro grupo teve os aplicativos completamente removidos dos dispositivos utilizados.
Segundo os resultados, todas as condições resultaram em melhorias no sono, no humor, na concentração, no desempenho escolar e na convivência familiar. O método que restringe o uso durante a noite, denominado “toque de recolher digital”, demonstrou maior efetividade e facilidade de implementação para as famílias.
Com base nessas conclusões, o governo britânico planeja implementar, até 2027, um bloqueio automático das redes sociais entre meia-noite e 6h para jovens de 16 e 17 anos. A proposta também implica na desativação de recursos que aumentam o tempo de permanência nas plataformas, como recomendações automáticas de vídeos.
A iniciativa busca promover hábitos mais saudáveis, melhorar a qualidade do sono e reduzir os efeitos do uso excessivo das redes sociais. No entanto, o estudo revelou dificuldades na efetividade dessas restrições, uma vez que muitos adolescentes recorrem a dispositivos antigos ou utilizam ferramentas como VPNs para burlar os controles. Além disso, alguns indicaram dificuldades em manter contato com amigos, especialmente em aplicativos como o Snapchat.
Diante dessas questões, há sugestões de que futuras regulamentações considerem a maturidade e a idade dos jovens na definição das restrições. Enquanto isso, o debate sobre limites para o uso de redes sociais por menores segue intenso no Brasil, onde especialistas e autoridades têm apontado associações entre consumo excessivo e problemas como ansiedade, dificuldades de concentração e privação do sono.
Embora ainda não haja uma proposta oficial semelhante à britânica, cresce a discussão sobre a necessidade de equilibrar proteção, autonomia e educação digital para adolescentes. Países como Austrália, membros da União Europeia e o próprio Reino Unido continuam estudando e propondo medidas que visam estabelecer limites mais claros para o uso dessas plataformas por jovens.
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