O jogador Richarlison solicitou oficialmente à Polícia Federal uma investigação sobre a disputa legal envolvendo uma propriedade localizada na Ilha Comprida, em Angra dos Reis. Em vídeo divulgado nas redes sociais, ele acusa o senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, de estar envolvido na transferência do imóvel para uma empresa vinculada ao advogado Willer Tomaz.
Segundo o atleta, o imóvel foi adquirido por ele entre 2020 e 2021 com uma parceria de sociedade, envolvendo nomes como Alencar da Silveira Júnior, ex-presidente do América-MG, e Renato Velasco, seu ex-empresário. Richarlison afirma que investiu aproximadamente R$ 10 milhões na propriedade e alega não ter recebido a devolução do valor. Ele também afirma não ter desejado vender o imóvel, mas que processos judiciais foram utilizados para forçar a transferência do direito de ocupação para uma empresa de Tomaz, envolvendo a Justiça.
A propriedade, localizada na Ilha Comprida, está envolta em controvérsias que envolvem documentos de regularização e processos administrativos na Secretaria do Patrimônio da União (SPU). Dados levantados por legisladores indicam trâmites diferentes na análise do imóvel: um pedido de regularização feito em 2021 ficou sem movimentação por anos, enquanto outro, realizado em 2022 por uma empresa ligada a Willer Tomaz, foi concluído rapidamente, resultando na atualização cadastral em favor da WT Administração de Imóveis e Bens S/A.
Em 11 de julho de 2022, a SPU aprovou uma certidão que permitiu a transferência da propriedade, indicando ainda a quitação de laudêmios e multas vinculadas a processos anteriores, com o valor do laudêmio referente à transferência final de R$ 57,3 mil. Apesar de a escritura declarar uma transação por R$ 600 mil, a avaliação do imóvel feita pela prefeitura de Angra dos Reis chegou a um valor de R$ 2,6 milhões para efeitos fiscais.
Relatórios internos de 2025 levantaram indícios de possíveis irregularidades relacionadas à transferência do imóvel, sugerindo que procedimentos administrativos poderiam ter sido utilizados para acelerar o processo. Em resposta ao questionamento de um deputado federal, a SPU afirmou que não instaurou investigação administrativa, pois declarou não ter encontrado problemas nas operações, baseando-se nos documentos apresentados.
A controvérsia também chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde decisões recentes favoreceram a empresa vinculada a Willer Tomaz. Uma ação movida por Richarlison e seus sócios foi encerrada após tentativas frustradas de recurso. Desde 2024, a Polícia Federal investiga as etapas anteriores relacionadas à ocupação e transferência do terreno.
Flávio Bolsonaro negou qualquer participação na negociação, afirmando que prestou depoimento apenas como testemunha e que não esteve envolvido na compra ou venda do imóvel. Willer Tomaz declarou que o valor investido na aquisição, incluindo regularização e débitos, ultrapassou R$ 5 milhões, diferindo do valor estimado pelo jogador.
Atualmente, a situação permanece sob análise, com possibilidade de novos desdobramentos na investigação em andamento.
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