O Rio de Janeiro ocupa a segunda posição no ranking nacional de pessoas em situação de rua, de acordo com levantamento baseado em dados do Cadastro Único e realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Em todo o Brasil, o número de pessoas vivendo nas ruas chegou a 388.855 em maio, com a Região Sudeste concentrando a maior parcela, de cerca de 60% dos casos.
O estudo destaca que a busca por oportunidades de trabalho atrai esse público às capitais do Sudeste. Entretanto, a infraestrutura urbana dessas grandes cidades não consegue atender à demanda crescente por moradia, assistência social e alternativas de geração de renda. Além disso, os dados revelam uma forte desigualdade racial, com sete de cada dez pessoas em situação de rua sendo negras.
Na análise por estados, São Paulo lidera com 159.290 indivíduos sem residência fixa, o que corresponde a aproximadamente 40% do total nacional. Os registros no estado quase dobraram desde 2020, quando eram registrados 83.074 casos. Ainda na região Sudeste, o Rio de Janeiro possui 35.406 pessoas em situação de vulnerabilidade, sendo que a maior parte, cerca de 70%, reside na capital.
Minas Gerais vem em terceiro lugar, com 34.849 registros. Assim como em outros estados da região, houve um crescimento significativo nos últimos cinco anos, saindo de 14.304 registros em 2020. Fora do eixo Sul-Sudeste, Roraima apresenta um avanço incomum, passando de 2.537 para 10.520 casos entre 2022 e 2025, com destaque para o aumento em Boa Vista.
No Nordeste, o estado do Ceará se destaca pela concentração na capital. Fortaleza abriga a maior parte dos mendigos no estado, com 11.349 de um total de 14.171 registros. Essa tendência de grande concentração urbana também se observa em outros centros maiores, como a capital de São Paulo, onde 67,2% dos casos estão na cidade, e em Minas Gerais, com 46,6%.
O monitoramento do OBPopRua classifica regiões como o Distrito Federal, Santa Catarina, Pernambuco e Espírito Santo em níveis intermediários de vulnerabilidade. Estados como Goiás, Pará, Mato Grosso e Amazonas também apresentam números que indicam atenção moderada. Por outro lado, estados como Amapá, Acre, Tocantins, Rondônia e Piauí possuem os índices mais baixos de pessoas em situação de rua, apontando um cenário menos crítico no âmbito nacional.
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