Em 2026, o Rio de Janeiro passou a incorporar oficialmente o dia de Corpus Christi ao calendário de feriados estaduais, marcando uma mudança significativa na tradição cultural e religiosa do estado. A inclusão ocorreu com a aprovação da Lei 11.002/25 pela Assembleia Legislativa, seguida pela sanção do governo estadual, consolidando a festividade como feriado oficial pela primeira vez na história fluminense.
Até então, a data era considerada um ponto facultativo na maioria das regiões brasileiras, deixando à critério de municípios e governos locais determinar seus procedimentos de funcionamento. Com a nova legislação, o Rio de Janeiro torna-se pioneiro no país ao estabelecer Corpus Christi como feriado estadual, reconhecendo uma das principais celebrações da tradição católica.
A celebração de Corpus Christi, cujo significado em latim é “Corpo de Cristo”, destaca-se não só pelo aspecto religioso, com participações em missas e procissões, mas também por suas manifestações culturais de longa data. Entre elas, os tradicionais tapetes, elaborados com materiais como sal, serragem colorida, flores, areia e pó de café, adornam as ruas durante o percurso da procissão do Santíssimo Sacramento. Essa tradição, herdada de Portugal e adquirida no período colonial, mantém viva uma expressão artística que simboliza a fé e a união comunitária.
No estado, cidades como São Gonçalo se destacam, produzindo um dos maiores tapetes de sal da América Latina, com extensão superior a dois quilômetros e participação de milhares de voluntários. Em outras regiões, como Araruama, Niterói, Petrópolis, Paraty, Campi dos Goytacazes e Resende, a confecção dos tapetes também mobiliza comunidades locais, instituições educativas e grupos culturais. Esses mutirões, que utilizam toneladas de materiais diversos, reforçam o sentido de pertencimento e a preservação do patrimônio cultural.
A celebração de Corpus Christi no Rio de Janeiro apresenta uma combinação de fé, arte e história, atraindo muitos visitantes e fortalecendo as tradições populares. Com a oficialização como feriado estadual, o evento ganha maior reconhecimento e visibilidade, destacando a importância de manter viva uma celebração que ultrapassa o aspecto religioso, envolvendo práticas artísticas e culturais que atravessam gerações. A expectativa é que, a partir de agora, o calendário estadual continue valorizando essa manifestação de fé e cultura, consolidando-a como um marco da identidade regional.
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