A rodovia RJ-100, que atravessa Niterói, pode passar a ser oficialmente denominada em homenagem a Tânia Rodrigues, ex-deputada estadual conhecida por sua atuação na promoção dos direitos de pessoas com deficiência. A proposta de alteração foi aprovada na primeira rodada de votação pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), aguardando nova deliberação antes de seguir para análise do Poder Executivo.
A iniciativa, de autoria da deputada Tia Ju (Republicanos), propõe modificar a Lei nº 6.036, publicada em 2011, que regula os nomes de vias públicas no Estado. A mudança visa reconhecer a história e as contribuições de Tânia Rodrigues nos campos de acessibilidade, saúde pública e inclusão social, destacando seu legado na defesa de direitos fundamentais.
Apesar de aprovada em primeiro turno, o projeto necessita de uma segunda votação na Alerj. Após essa etapa, será encaminhado ao Executivo, que decidirá pela sanção ou veto do projeto de lei. A homenagem busca valorizar a trajetória de Tânia Rodrigues, que faleceu em fevereiro de 2026, após décadas de envolvimento em ações públicas voltadas à cidadania e à inclusão, especialmente na cidade de Niterói.
Natural de Niterói, Tânia Rodrigues enfrentou poliomielite na infância, o que a sensibilizou para as questões de acessibilidade. Formada em Medicina pela Universidade Federal Fluminense (UFF), dedicou-se também à causa social, fundando em 1981 a Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos (Andef), uma das maiores entidades de assistência a pessoas com deficiência no Brasil. Em 2002, implantou o maior centro de treinamento acessível na América Latina, localizado em um terreno de 42 mil metros quadrados.
Na esfera política, sua carreira começou como vereadora na cidade de Niterói, ocupando o cargo inicialmente entre 1992 e 1994, e mais tarde entre 2012 e 2014. Como deputada estadual, dedicou-se às pautas de inclusão, saúde e acessibilidade, presidindo a Comissão de Saúde na Alerj e participando de investigações sobre a segurança de bancos de sangue e hemocentros do estado.
Entre as ações legais de destaque atribuídas a Tânia Rodrigues, estão a obrigatoriedade do uso do cinto de segurança no Rio de Janeiro, aprovada em 1995, bem como leis que estabelecem a meia-entrada para jovens até 25 anos, a idade de 60 anos como critério de idoso e o Dia Estadual da Luta da Pessoa Portadora de Deficiência. Sua atuação também abrangeu políticas de mobilidade e inclusão, além de iniciativas municipais em Niterói, como o projeto Praia sem Barreiras e ações de acessibilidade urbana.
Durante sua passagem pelo governo local, Tânia foi secretária municipal de Acessibilidade, implementando melhorias em transporte, espaços públicos e atividades voltadas à mobilidade de pessoas com deficiência. Seu trabalho foi fundamental para ampliar o acesso a diversos serviços públicos e espaços urbanos na cidade.
Se aprovada de forma definitiva, a mudança de nome consolidaria uma homenagem póstuma à sua trajetória de defesa dos direitos sociais. Além de reforçar a memória de sua atuação na cidade, a proposta também simboliza um reconhecimento ao impacto de suas ações na melhora da qualidade de vida de pessoas com necessidades especiais e na ampliação do debate sobre acessibilidade na sociedade brasileira.
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