A Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro iniciou um amplo processo de restauração de seu patrimônio histórico, artístico e religioso. Fundada em 1582, a instituição está realizando intervenções em espaços simbólicos, como a capela antiga, o salão nobre e o futuro Museu da Farmácia. As obras, financiadas por doações e recursos públicos, visam também abrir parte do acervo ao público após a conclusão.
Desde março, uma nova gestão tem promovido ações voltadas à preservação do patrimônio e à valorização da história da Santa Casa. Entre os espaços em recuperação, destaca-se a capela situada na Rua Santa Luzia, que mantém elementos originais, como o altar dourado e uma claraboia que fornece iluminação natural. A expectativa é reativar celebrações religiosas, embora com restrições de capacidade devido ao espaço limitado a 18 ocupantes.
Outro ponto em fase de revitalização é o salão nobre, atualmente utilizado para reuniões administrativas. O ambiente conta com uma mesa para 20 pessoas, um altar com imagem de Jesus, uma representação da Santa Ceia, além de pinturas dos doze apóstolos e retratos de benfeitores ao redor, que refletem o histórico de apoio financeiro à instituição ao longo dos séculos.
O projeto também inclui a criação de um Museu da Farmácia, que será instalado em uma sala do térreo. O espaço reunirá instrumentos, frascos, utensílios e substâncias usados na produção de medicamentos em diferentes épocas. Ao lado, será instalada uma nova farmácia hospitalar, destinada ao abastecimento exclusivo dos pacientes da Santa Casa, já autorizada pela Vigilância Sanitária.
A iniciativa busca consolidar a função da Santa Casa também como espaço de ensino, promovendo parcerias com universidades para pesquisas, estágios e atividades acadêmicas. A instituição desempenhou papel importante na formação de profissionais de saúde, sediando, em 1856, a Escola de Anatomia, Medicina e Cirurgia, precursor da atual Faculdade de Medicina da UFRJ. Hoje, oferece várias especializações, incluindo Cirurgia Plástica, Ginecologia e Psicologia Oncológica.
A modernização do hospital também contempla novas instalações de tecnologia diagnóstica, como um centro equipado com raio-X, ultrassonografia, mamografia, densitometria óssea, tomografia e ressonância magnética, cuja instalação deverá ocorrer nos próximos meses. Além disso, será implantado um sistema de controle de acesso com catracas eletrônicas para aprimorar a segurança de pacientes, profissionais e visitantes.
A Santa Casa mantém sua tradição de assistência beneficente, atendendo cerca de 13 mil pacientes mensais e oferecendo mais de 30 especialidades médicas. Os atendimentos particulares têm custos entre R$ 100 e R$ 150 e podem ser agendados de segunda a sexta-feira, das 13h às 16h. Os pacientes são atendidos por ordem de chegada a partir das 7h30. Desde sua fundação, a instituição mantém o compromisso social herdado da Santa Casa Portuguesa, fundada no século XV, consolidando-se como referência na assistência hospitalar do Rio de Janeiro.
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