Na última semana de maio, a Secretaria Municipal de Saúde de Maricá participou de uma audiência pública na Câmara de Vereadores, na qual destacou o reconhecimento de diversas deficiências na rede de assistência. Entre os problemas apontados estão a escassez de medicamentos, atrasos nos agendamentos e dificuldades no atendimento em unidades de saúde. Em resposta, foi apresentada uma reorganização da atenção básica, incluindo a reintegração dos agentes comunitários às atividades de campo, a modernização dos registros de visitas e a implementação de ações voltadas à monitoria de resultados.
Um dos principais temas discutidos foi a falta de medicamentos. O secretário Marcelo Velho admitiu falhas no abastecimento ocasionadas por problemas com fornecedores, embora ressaltasse que há remédios substitutivos disponíveis em muitos casos, como no episódio de dipirona, onde paracetamol e ibuprofeno estavam à disposição. Além disso, Velho explicou que algumas inadequações de estoque decorrem de responsabilidades divididas entre os diferentes níveis de gestão, citando, por exemplo, a disponibilidade de insulina, que é de competência estadual para cerca de 120 pacientes. A secretaria afirmou estar adotando uma nova estratégia logística para diminuir essas ausências.
Outro ponto abordado foi a lentidão nos processos de agendamento. Regina Ferreira, subsecretária de Atenção Primária, reconheceu que o atraso nos marcadores de consultas ultrapassa o que seria ideal, justificando a situação pela insuficiência de equipes de saúde da família, que atualmente atendem mais de 220 mil moradores com apenas 59 unidades e equipes, quando o ideal seriam cerca de 80. Para solucionar essa disparidade, planeja-se ampliar o número de equipes e criar novas unidades de atendimento.
A Secretaria também reconheceu dificuldades no acolhimento e no tratamento prestados aos usuários. Regina Ferreira pediu desculpas pelos relatos de maus-tratos e destacou os esforços para melhorar o atendimento por meio de capacitações e ações de humanização. Entre essas iniciativas, está a contratação de recepcionistas para substituir agentes comunitários na recepção, profissionais que passarão por treinamentos específicos para desempenhar funções compatíveis com a sua formação.
A reorganização da atenção básica passa ainda pela retomada do trabalho dos agentes comunitários no território, com o objetivo de intensificar os visitas domiciliares e fortalecer a atenção primária. Para isso, os agentes receberam tablets que permitem registrar as visitas em tempo real, integrando essas informações ao sistema de saúde local. Além disso, a adesão ao programa e-SUS visa aprimorar a coleta e análise de dados, promovendo uma gestão mais eficiente. A implantação de conselhos locais de saúde, ligados ao Conselho Municipal, também busca aproximar a população das unidades de saúde e melhorar a participação social.
Ao final do encontro, o município solicitou que todas as denúncias relacionadas à rede de saúde fossem formalizadas na secretaria para que as providências cabíveis fossem tomadas. A plenária foi parte de uma prestação de contas quadrimestral, conforme exige a legislação vigente.
Acompanhe o Rio Press para mais notícias em tempo real.



