julho 18, 2026
julho 18, 2026
18/07/2026

Setor de combustíveis do Rio enfrenta crises por fraudes e ligação com crime organizado

O setor de combustíveis no estado do Rio de Janeiro enfrenta uma situação preocupante na fiscalização das operações. Dados da Secretaria de Estado de Fazenda indicam que aproximadamente 95% dos postos do estado não forneceram ou enviaram informações fiscais completas relativas às transações de compra e venda de combustíveis. Em junho, dos 2.205 estabelecimentos cadastrados, 2.100 foram notificados acerca da ausência ou irregularidade no envio desses dados, o que prejudica o controle fiscal e dificulta ações contra fraudes e atividades ilícitas.

Estudos do Ministério da Justiça e Segurança Pública apontam que quase metade dos postos na região possui alguma ligação com o crime organizado. A falta de registros detalhados de operações impede a identificação de fraudes, o rastreamento de movimentações suspeitas e a apuração de desvios financeiros pelas autoridades fiscais. As investigações indicam que fraudes fiscais financiam grupos criminosos, que utilizam faturamento ilegal para lavar dinheiro oriundo do tráfico de drogas e outras atividades ilegais. A prática é facilitada pelo alto volume de transações realizadas em dinheiro, o que complica o monitoramento financeiro.

Um esquema recorrente nas investigações é a adulteração de bombas de combustíveis, conhecido como “bomba baixa”, onde o equipamento é manipulado para fornecer uma quantidade menor de combustível do que a indicada na bomba, levando o consumidor a pagar por uma quantidade maior do que recebe. Estima-se que um grupo criminoso possa lucrar cerca de R$ 1,6 milhão mensal com essa prática.

Para combater essas irregularidades, o Ministério da Justiça instituiu uma força-tarefa que investiga mais de mil postos suspeitos de ligação com o crime organizado. A iniciativa conta com apoio do Ministério Público do Rio de Janeiro, da Polícia Federal e de setores da sociedade civil.

Além das fraudes relacionadas às vendas, há também irregularidades no transporte de combustíveis. Após o aumento das fiscalizações nas principais entradas do estado, houve um crescimento expressivo na quantidade de autuações. Em junho, multas totalizaram mais de R$ 1,7 milhão contra caminhões-tanque, representando um crescimento de 482% em relação ao mesmo período de 2025. A maioria dos veículos transportava combustíveis sem notas fiscais ou com documentação irregular, levando a aumentos de 254% e 168% nas multas nos dois primeiros meses de operação.

Recentemente, as investigações aprofundaram-se, atingindo empresários e agentes públicos. A Polícia Federal desarticulou uma rede que movimentou mais de R$ 7 bilhões em lavagem de dinheiro, envolvendo, entre outros, o ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella; o delegado e ex-secretário estadual de Polícia Civil, Marcos Amim; e o proprietário de lojas de conveniência em Niterói. O deputado estadual Thiago Rangel também foi alvo das investigações devido à posse de postos suspeitos, além de ter sido preso anteriormente por suspeitas de envolvimento em desvios na área de educação.

Avanços na operação continuam sendo feitos com o objetivo de esclarecer as circunstâncias e responsabilizar os envolvidos.


Acompanhe o Rio Press para mais notícias em tempo real.

Vinkmag ad