abril 25, 2026
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25/04/2026

Tartarugas-cabeçuda são avistadas na Baía de Guanabara em operação conjunta de pesquisadores e pescadores

Duas tartarugas da espécie Caretta caretta foram encontradas na Baía de Guanabara no dia 18, durante uma operação conjunta liderada por pescadores artesanais e pesquisadores do Projeto Aruanã. Os exemplares foram capturados em um curral de pesca, passaram por procedimentos de identificação científica e foram posteriormente devolvidos ao meio ambiente.

Embora registros de tartarugas na região sejam frequentes no contexto das comunidades pesqueiras, a coleta sistemática desses dados só foi iniciada em 2024. A parceria entre o Projeto Aruanã, apoiado pelo Governo Federal e pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental, tem como objetivo ampliar o monitoramento na área. O método de captura, marcação e liberação das tartarugas coincide com um avanço importante na produção de informações científicas locais.

A presença dessa espécie, considerada ameaçada de extinção globalmente, é tradicionalmente associada ao oceano aberto. No entanto, estudos indicam que a disponibilidade de crustáceos, especialmente camarões, tem atraído as tartarugas para a área urbana da baía, onde encontram fontes de alimento. Segundo a coordenadora do projeto, Dra. Suzana Guimarães, a descoberta de uma frequência maior de tartarugas na região representa uma mudança de entendimento, ressaltando a necessidade de preservar a qualidade do ambiente aquático.

A rotina de monitoramento é realizada principalmente em currais de pesca, construções de bambu onde as tartarugas entram impulsionadas pela maré. A participação dos pescadores nesse processo é considerada essencial para garantir a segurança dos animais e a coleta de dados para estudos científicos.

Um caso emblemático no projeto é o de Jorge, uma tartaruga que, após 40 anos de cativeiro na Argentina, foi libertada no oceano e percorreu cerca de três meses até chegar à Baía de Guanabara. Apesar do sinal de seu transmisor ter deixado de funcionar após uma semana em águas fluminenses, por causa da vida útil da bateria, acredita-se que a presença da espécie na região se deu pela abundância de alimento. A coordenadora do projeto ressalta que experiências como a de Jorge reforçam o papel ecológico da baía.

Desde 2024, a colaboração com pescadores artesanais é considerada fundamental para o avanço na conservação das tartarugas e do ecossistema local. Segundo João Luiz Vasconcelos, conhecido como “Português”, o aumento na frequência de avistamentos ocorreu após eventos de mau tempo no início de 2025. Já Uallace Santos destaca a importância do envolvimento direto na marcação e no estudo das tartarugas, reforçando o compromisso com a preservação ambiental.

O próximo passo na pesquisa inclui a instalação de rastreadores com tecnologia satelital, cujo objetivo é mapear os trajetos das tartarugas e identificar ameaças no ambiente antropizado. Os dados coletados deverão ajudar a embasar ações governamentais voltadas à redução da poluição na baía, sobretudo em áreas como os manguezais, considerados berçários do ecossistema marinho. A coordenadora do projeto alerta para a persistência da poluição na região, que continua recebendo resíduos, principalmente esgoto, mesmo nos trechos considerados de maior atenção.


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