julho 2, 2026
julho 2, 2026
02/07/2026

Termo de eleição na Alerj reforça posicionamento pela resolução institucional da crise no Rio

Na manhã deste sábado, o deputado Douglas Ruas (PL) foi oficializado como presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Em pronunciamento, ele destacou a necessidade de resolução do impasse sucessório no estado por meio do diálogo institucional, descartando uma escalada judicial para solucionar a crise.

Ruas reforçou sua postura de buscar entendimento com outras autoridades e instituições, afirmando que a Casa Legislativa não deve adotar medidas unilaterais ou jurídicas que possam complicar ainda mais a situação. Ele declarou que a prioridade é evitar ações que não beneficiem o povo fluminense, mantendo o foco na resolução pelo caminho do consenso.

A declaração ocorre em meio a uma controvérsia jurídica ainda ativa, envolvendo uma disputa que atualmente está pendente no Supremo Tribunal Federal (STF). Apesar de ter sido eleito presidente da Alerj, Ruas não detém oficialmente a posição de governador em exercício, atribuição que permanece com o desembargador Ricardo Couto, responsável pelo Tribunal de Justiça do Rio, devido a uma liminar do ministro Cristiano Zanin. Essa decisão tem validade até o julgamento final do STF sobre o mecanismo de sucessão estadual.

O ponto central da disputa é a forma de preenchimento do cargo de governador interino após a renúncia de Cláudio Castro. O TSE declarou Castro inelegível por oito anos, por abuso de poder político na eleição de 2022, decisão tomada por maioria de votos e que, por si só, gerou a necessidade de uma definição sobre quem assumirá o poder até a realização de novas eleições.

O processo no STF teve início em abril e foi suspenso por pedido de vista do ministro Flávio Dino. O tribunal registra uma maioridade de votos favoráveis à realização de eleição indireta pela própria Alerj, com quatro ministros apoiando esse procedimento e um, Cristiano Zanin, defendendo a realização de uma eleição direta. A posição de Dino ainda aguarda manifestação, com a possibilidade de votar após a análise do acórdão do TSE.

Nesse cenário, o grupo ligado a Douglas Ruas pretende protocolar uma representação formal no STF, tentando validar a eleição da Alerj e reforçar a tese de que o seu comando consolidou a linha sucessória, uma vez que a Casa Legislativa já possui um presidente eleito de forma regular. Ruias sustentou que a Constituição Federal e estadual indicam a eleição do presidente da assembleia como segundo na linha de sucessão após o governador, reforçando sua estratégia de legitimar sua liderança institucional.

A eleição de Ruas foi marcada por movimento de retirada de parlamentares e debates acerca do método de votação. A votação ocorreu em um clima de tensão, com 44 dos 45 deputados presentes votando a favor, uma abstenção e partidos alinhados à administração de Eduardo Paes saindo de plenário em protesto contra o voto aberto. Após o resultado, o PDT anunciou intenção de recorrer ao STF para contestar o pleito, alegando que a situação da Alerj exige uma nova votação sob condições diferentes.

A vitória de Ruas reforçou o controle do bloco de aliados ao governo na Casa Legislativa, ampliando sua influência na disputa pelo Palácio Guanabara. Apesar de suas declarações públicas de busca por pacificação e diálogo, o movimento revela uma estratégia de acelerar o reconhecimento de sua posição na linha sucessória. Com o atual cenário, o governo do estado permanece com Ricardo Couto, enquanto as decisões do STF continuam sendo determinantes para o fim da crise institucional no Rio de Janeiro.


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