outubro 13, 2026
outubro 13, 2026
13/10/2026

Violência urbana e insegurança impactam educação e lazer de crianças no Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, um estudo realizado em 2026 revela que cerca de 189 mil estudantes da rede municipal tiveram suas rotinas de deslocamento entre casa e escola prejudicadas pela violência armada ocorrida entre janeiro de 2023 e julho de 2025. De acordo com o Instituto Fernandes Figueira, vinculado à Fiocruz, a deterioração das áreas de lazer e a insegurança urbana contribuem para mudanças nos hábitos familiares, reduzindo as oportunidades de lazer ao ar livre para as crianças.

A situação motiva muitos responsáveis a restringir a saída dos filhos sozinhos, o que acaba levando à socialização por meio de telas digitais. Essa prática, embora seja uma alternativa para manter contatos, apresenta dificuldades de supervisão. Um levantamento do ITS Rio, intitulado Redes de Proteção, aponta que 60% das famílias entrevistadas consideram difícil ou muito difícil acompanhar a vida digital dos jovens, aumentando o desafio na supervisão dos ambientes virtuais.

Mães e responsáveis frequentemente apontam que o uso do celular facilita o contato com amigos, mas também intensifica as preocupações com as pessoas com quem as crianças interagem online. Especialistas destacam que o foco da proteção deve ir além da limitação de tempo de tela, envolvendo a oferta de ambientes seguros, vínculos sólidos e experiências que promovam autonomia e convivência fora do universo digital.

Dados de uma pesquisa nacional do UNICEF indicam que 19% de crianças e adolescentes entre 12 e 17 anos, o que corresponde a aproximadamente três milhões de jovens, sofreram algum tipo de exploração ou abuso sexual facilitado pelo uso de tecnologias nos 12 meses anteriores à pesquisa. Os casos incluem situações de aliciamento, extorsão e compartilhamento de imagens, muitas vezes envolvendo encontros presenciais após contatos digitais.

A psicóloga Patrícia Baptista ressalta que o problema não concerne apenas ao tempo de uso de telas, mas também à necessidade de ensinar as crianças a buscar ajuda de um adulto quando se sentirem inseguras ou incomodadas, promovendo um ambiente de diálogo aberto. A construção de ambientes seguros para brincadeiras e relacionamentos é considerada fundamental para a proteção infantil.

Na esfera estadual, ações legislativas buscam aumentar a segurança digital. O Projeto de Lei 8.086/26, atualmente em pauta na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, propõe capacitar familiares na utilização de ferramentas de proteção na internet, incluindo filtros de conteúdo, limites por idade, canais de denúncia e orientações sobre privacidade.

Outra iniciativa aprovada, a Lei nº 11.153/2026, prevê a implementação de campanhas e atividades educativas voltadas ao uso responsável de celulares, promovendo o equilíbrio entre tecnologia, convivência social e o direito ao lazer seguro. Para denúncias ou suspeitas de violência contra crianças, os canais de comunicação oficiais incluem o Disque 100, o Conselho Tutelar e a Polícia Civil. O reconhecimento da importância de proteger a infância tanto no ambiente digital quanto na vida real reforça a necessidade de ações integradas para garantir o bem-estar das crianças e adolescentes.


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