A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou a implementação de um Plano de Farmacovigilância Ativa destinado a monitorar, de maneira sistemática, os efeitos adversos relacionados ao uso de medicamentos agonistas do receptor do GLP-1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras. Esta medida busca responder ao aumento significativo do consumo dessas substâncias e às crescentes complicações registradas no Brasil, considerando que, entre 2018 e março de 2026, foram reportadas quase 3 mil notificações de eventos colaterais vinculados a esses medicamentos.
De acordo com o diretor Thiago Lopes Cardoso Campos, a expansão do uso dessas terapias, muitas vezes fora das indicações clínicas aprovada, sem o acompanhamento adequado, potencializa riscos à saúde pública. Além disso, ele ressaltou o impacto desse fenômeno na circulação de produtos falsificados ou manipulados de forma ilegal, enfatizando que a venda de tais medicamentos é crime previsto no Código Penal. Campos alertou ainda que a comercialização irregular coloca em risco a integridade do paciente, por não garantir a segurança, qualidade ou eficácia dos produtos.
A iniciativa é um desdobramento de um plano de ação mais amplo, lançado recentemente, que visa fortalecer o monitoramento pós-venda e intensificar a vigilância em relação às medicações da classe. A estratégia conta com a participação voluntária de uma rede de serviços de saúde, com destaque para a Rede Sentinela, composta por hospitais universitários, laboratórios e centros de pesquisa de todo o país. A Colaboração entre esses atores e a Polícia Federal busca potencializar a detecção precoce de riscos e assegurar a efetividade do acompanhamento clínico.
Segundo o diretor e o presidente da Anvisa, Leandro Safatle, a crescente procura por esses medicamentos exige uma fiscalização rigorosa e coordenada. Ele destacou a importância do monitoramento contínuo na fase pós-comercialização, uma vez que riscos raros ou de manifestação tardia muitas vezes só se tornam evidentes após o uso amplo dos produtos. A estratégia de farmacovigilância ativa visa, assim, ampliar a capacidade de identificar e avaliar esses riscos de forma estruturada, garantindo maior segurança ao usuário e o controle das ações regulatórias.
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