O Palácio Monroe, um símbolo da arquitetura e do contexto político do Rio de Janeiro durante grande parte do século XX, foi demolido na década de 1970. Localizado na região central da cidade, o edifício deixou de existir após anos de debates e ações de demolição que visavam sua remoção, resultando na substituição por um estacionamento subterrâneo e uma praça com pouca circulação.
Construído inicialmente para ser o Pavilhão do Brasil na Exposição Universal de Saint Louis em 1904, o prédio foi destacado por sua arquitetura premiada, tendo sido desmontado nos Estados Unidos, transportado ao Brasil e reerguido na cidade do Rio, em 1906. A estrutura simbolizava as ambições modernizadoras da recém-estabelecida República brasileira. Posteriormente, sua instalação na área ocupou uma posição estratégica na Avenida Central, hoje parte da Avenida Rio Branco, integrando o centro urbano da capital federal.
O entorno do palácio era complementado por um projeto de jardim que seguia o traçado de paisagismo do início do século XX. Com caminhos sinuosos, canteiros cuidadosamente planejados, gramados e árvores, o espaço favorecia momentos de descanso e convivência em meio à agitação do centro da cidade, atuando como uma transição entre a imponência arquitetônica e o cotidiano urbano.
Com a mudança da capital para Brasília, o prédio sofreu um período de relativo abandono. Apesar disso, parte de seu interior continuou funcionando como uma espécie de filial do Senado Federal na cidade. Servidores públicos, especialmente aposentados, e membros do próprio Senado ainda realizavam atividades no local. Em anos posteriores, alguns de seus andares foram cedidos ao Estado-Maior das Forças Armadas.
Nos anos 1970, o crescente processo de deterioração do edifício gerou propostas para sua demolição. Argumentos utilizados incluíam a liberação de espaço para áreas verdes, a redução de custos públicos e a necessidade de facilitar o tráfego, já que a estrutura representava um impedimento para a construção de linhas do metrô na região. A discussão também envolveu aspectos de preservação arquitetônica, com diferentes opiniões. Assim, enquanto alguns defendiam o tombamento do conjunto, outros, como o arquiteto Lúcio Costa, argumentavam que o prédio não tinha valor arquitetônico relevante, categorizando-o como uma “presença estorvante” na paisagem urbana.
A divisão de opiniões refletia o momento político do país, com uma resistência representada por historiadores e preservacionistas e uma justificativa oficial baseada na modernização. Em 1975, o Iphan negou o tombamento do edifício, seguindo a recomendação de Lúcio Costa de não preservá-lo. No entanto, a decisão final para sua destruição veio sob ordem do governo militar. Em junho de 1976, após meses de demolição controlada, a última parede foi derrubada.
A destruição do Palácio Monroe foi recebida com crítica por setores contrários à perda do patrimônio. Alguns parlamentares, como Itamar Franco e Benjamin Farah, expressaram tristeza e lamentaram a ausência de preservação de uma construção que fazia parte da história nacional. Com sua demolição, o Rio de Janeiro perdeu não apenas um monumento arquitetônico, mas também um espaço que integrava elementos de urbanidade e sociabilidade, marcando um ciclo de alterações urbanísticas na cidade.
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