O presidente dos Estados Unidos anunciou a reversão de uma proposta de transmitir ao vivo a execução do ex-psiquiatra do Exército, condenado pelo tiroteio na base militar de Fort Hood, no Texas, ocorrido em 2009. A decisão de Trump ocorreu nesta quinta-feira (15), após críticas à iniciativa, que havia sido defendida pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth.
A execução por fuzilamento está agendada para o dia 3 de dezembro, mas a transmissão ao vivo foi descartada. O anúncio foi feito pelo próprio presidente, que afirmou considerar a exibição uma forma de dissuadir possíveis ataques, porém reconheceu a resistência da opinião pública. Ele também reforçou que a execução continuará conforme previsto, sem transmissão pública, e utilizou uma expressão pejorativa ao se referir ao condenado.
Segundo relatos de um funcionário da Casa Branca que solicitou anonimato, Trump e sua equipe não estavam a par do plano de transmissão antes do anúncio. A participação das famílias das vítimas em eventuais cerimônias presenciais permanece garantida, conforme o procedimento padrão nos Estados Unidos.
A proposta impactou integrantes do Partido Republicano e líderes religiosos, gerando opositores inclusive entre aliados políticos próximos. O vice-presidente do país, JD Vance, manifestou dúvidas ou oposição ao projeto. Além disso, pesquisas de opinião indicaram que a maioria da população americana era contrária à transmissão ao vivo da execução.
No âmbito religioso, o arcebispo Timothy Broglio questionou a iniciativa, enquanto a Igreja Católica, através do papa Leão XIV, reafirmou a condenação à pena de morte. Deputados democratas também criticaram a proposta, considerando-a de mau gosto, enquanto representantes republicanos apoiaram a reversão da decisão.
A divergência entre Trump e o secretário de Defesa, Pete Hegseth, chamou atenção por ser uma manifestação pública rara de desacordo entre aliados próximos. Apesar disso, o Departamento de Defesa afirmou que ambos estavam alinhados na decisão final, comunicado que envolveu o diálogo prévio entre o presidente e o secretário Hegseth.
Antes da mudança de posição, Hegseth argumentou que a transmissão ajudaria o público a compreender a gravidade de ataques semelhantes. Ainda não há informações sobre possíveis repercussões políticas ao secretário, que mantém uma relação próxima com o presidente.
O episódio ocorre em meio a debates renovados sobre a pena de morte nos Estados Unidos. Recentemente, uma condenada por assassinato na década de 1990 sobreviveu a duas tentativas de execução por injeção letal no Tennessee, procedimento que causou sérias ferimentos à ré e resultou na necessidade de hospitalização.
No caso de Fort Hood, Nidal Hasan foi condenado por um júri militar por assassinato premeditado, após abrir fogo na base e matar 13 militares desarmados, além de ferir outros 32. Após o ataque, Hasan foi baleado por agentes de segurança e passou a usar cadeira de rodas devido a ferimentos na medida.
Até o momento, não há informações de que a data de 3 de dezembro tenha sido alterada devido a questionamentos judiciais. Procurado, o advogado de Hasan ainda não se manifestou sobre o cancelamento da transmissão. A decisão ocorre poucos dias antes das eleições legislativas de meio de mandato, em um momento de crescente descontentamento com as políticas do governo e de esse conflito de opiniões ganhar atenção pública.
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