Na última sexta-feira, foi oficialmente criada a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Estadual Marinha Urupirá (RDS Urupirá), localizada na Zona Oeste do Rio de Janeiro. A nova unidade de conservação de 3 mil hectares tem como objetivo proteger a biodiversidade marinha e costeira da região, garantindo a continuidade das atividades de pesca artesanal e promovendo o turismo sustentável na área.
A reserva, sob gestão do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), cobre o espaço entre a Ilhota do Frade, em Barra de Guaratiba, e a Pedra do Pontal, no Recreio dos Bandeirantes. Sua relevância ambiental decorre da presença de ambientes marinhos, ilhas e costões rochosos, que representam habitats essenciais para diversos organismos, incluindo espécies ameaçadas de extinção e de interesse pesqueiro. Essa proteção visa preservar os processos ecológicos e a conexão entre diferentes habitats, contribuindo para a recuperação e o fortalecimento dos estoques pesqueiros.
A iniciativa reforça o compromisso do Estado do Rio de Janeiro com a conservação marinha e se insere na estratégia global de proteção de pelo menos 30% das áreas terrestres e marítimas, de acordo com as metas do Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal. Além disso, busca limitar impactos de atividades humanas prejudiciais, como a pesca ilegal, o turismo desordenado e os resíduos sólidos, fortalecendo a resiliência dos ecossistemas costeiros.
O secretário de Estado do Ambiente e Sustentabilidade destacou a importância da medida ao afirmar que a unidade promove a integração entre a preservação da biodiversidade, o uso sustentável dos recursos naturais e a participação das comunidades tradicionais na gestão do território. Como categoria de uso sustentável, a RDS Urupirá é parte do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC) e busca equilibrar a proteção ambiental com as atividades tradicionais das comunidades pesqueiras, reconhecendo sua relação histórica com a região.
A criação da reserva contou com apoio técnico de organizações como The Nature Conservancy (TNC) e Ilhas do Rio – Instituto Mar a Dentro, que implementaram uma gestão participativa, incluindo Conselho Deliberativo com representantes de órgãos públicos, sociedade civil, populações tradicionais e usuários do local. Entre as ações previstas estão o monitoramento participativo de recursos pesqueiros e ecossistemas, pesquisa científica, educação ambiental, fiscalização e atividades de ecoturismo compatíveis com as metas de conservação.
A implementação da unidade também foi resultado de estudos técnicos, consultas públicas, reuniões e audiências públicas, buscando garantir um desenvolvimento ordenado e sustentável do espaço para fins de proteção ambiental e uso social. O funcionamento da reserva depende de futuras ações de gestão integrada e do envolvimento contínuo dos diversos atores envolvidos na região.
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