Na manhã de domingo, dois helicópteros colidiram no Recreio, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro, deixando resíduos visíveis e causando preocupação na comunidade local. Moradores relataram destruição de vidros e incômodo provocado pelos voos frequentes na região, onde o tráfego de aeronaves vem crescendo de forma significativa.
O Aeroporto de Jacarepaguá é o principal polo de movimento de helicópteros do país na aviação geral. Na área entre Joatinga e Guaratiba, há sete heliportos registrados. Segundo dados do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), o aeroporto foi responsável por quase 30% de todas as operações de helicóptero no Brasil em maio, com 7.903 pousos e decolagens, representando um aumento de quase 16% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os números crescem continuamente, impulsionados principalmente pelo fluxo de grandes aeronaves que atendem ao setor offshore, além de voos turísticos e deslocamentos executivos na região.
A expansão do tráfego aéreo na zona preocupa moradores e autoridades, especialmente por relatos de voos a baixas altitudes e aumento do barulho. Dados apresentados em reunião com a comunidade indicam que mais de um terço dos voos monitorados descumpriam regras de altitude mínima. Essa situação reforça as reivindicações por maior fiscalização e reforça o temor por acidentes e poluição sonora na área.
A gestão do aeroporto, atualmente concedida à PAX Aeroportos desde maio de 2023, afirma que implementou melhorias na infraestrutura. A concessionária atribui o crescimento do movimento à retomada econômica e ao aumento de atividades no setor petrolífero e no turismo regional.
Em relação ao acidente, novas imagens captadas por câmeras da prefeitura de Rio mostram as aeronaves caindo às 8h57 da manhã. A Polícia Civil ouve testemunhas, incluindo os proprietários dos helicópteros, enquanto investigações técnicas do Cenipa apuram as causas do choque, incluindo possíveis falhas humanas ou técnicas. A força policial analisa também eventuais comunicações entre os pilotos antes do impacto.
As aeronaves envolvidas estavam sob investigação por suspeita de transporte clandestino. Uma denúncia anônima apontou que uma delas operava como táxi aéreo sem licença, com manutenção irregular. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) já havia autuado a proprietária de uma das aeronaves por recusas às inspeções, além de monitorar ambas as máquinas por suspeita de atividade ilegal. No entanto, a autoridade reguladora afirma que as aeronaves estavam regularizadas para uso na aviação privada, embora uma ligação com transporte clandestino ainda seja considerada improcedente.
A apuração de eventuais responsabilidades no acidente, bem como sua relação com atividades ilegais, está sob análise do Cenipa, órgão responsável por investigar acidentes aeronáuticos. As próximas etapas envolvem a conclusão das apurações e possíveis ações para regularizar a operação de aeronaves na região, cujo fluxo de tráfego continua aumentando.
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