A análise do recurso apresentado pela fabricante de produtos de limpeza Ypê, sob responsabilidade da empresa Química Amparo, foi adiada nesta quarta-feira pela diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O assunto, inicialmente incluído na pauta da 8ª Reunião Ordinária, será retomado na próxima sexta-feira (15).
De acordo com o presidente da agência reguladora, Leandro Safatle, a decisão faz parte de uma fase de negociações técnicas entre a Anvisa e a empresa, focadas na implementação de medidas de mitigação dos riscos sanitários. A Química Amparo comprometeu-se a apresentar um pacote de ações corretivas na quinta-feira, que visam a solucionar as irregularidades identificadas na inspeção realizada em abril.
A fiscalização conjunta, conduzida pelo setor de vigilância sanitária de São Paulo e pelo município de Amparo, revelou 76 irregularidades na unidade de fabricação. Entre os problemas constatados, destaca-se a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em mais de uma dezena de lotes de produtos, o que motivou a suspensão da produção, comercialização e uso de certos itens.
Durante a reunião, a Anvisa manteve a recomendação para que os consumidores evitem o uso de produtos listados na Resolução 1.834/2026, além de alertar sobre lotes finalizados com o número 1, que continuam sob suspensão. A fabricante informou que vem colaborando com os órgãos reguladores, apresentando atualizações do plano de ações e fornecendo laudos técnicos e análises de risco, solicitando, no entanto, que a restrição permaneça até a perfeita adequação dos processos produtivos.
A companhia declarou que vem executando 239 ações corretivas, previamente indicadas pela própria empresa após inspeções realizadas nos anos de 2024 e 2025. Participaram da reunião o presidente da Anvisa, além de representantes da fiscalização da agência, além de dirigentes da Ypê, incluindo seu presidente e o executivo responsável pelas operações.
O caso teve início na última semana, quando a Anvisa suspendeu a fabricação, venda e distribuição de lotes finalizados com o número 1 de diversos produtos da linha de limpeza, incluindo detergentes, sabões líquidos e desinfetantes. A decisão foi motivada por falhas detectadas nos processos de produção e controle de qualidade, incluindo a presença da bactéria resistente a antibióticos, ligada a riscos à saúde de pessoas imunocomprometidas.
Após recorrer da decisão, a fabricante conseguiu a revisão da suspensão, mas os produtos permanecem fora do mercado enquanto não forem concluídas as medidas corretivas necessárias. A análise final do caso ainda aguarda uma nova deliberação por parte da diretoria da Anvisa.
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