A Câmara de Maricá rejeitou nesta terça-feira (13/10) uma proposta de homenagem ao ex-prefeito e deputado federal eleito Fabiano Horta (PT), recebendo 13 votos contrários e apenas três favoráveis. A iniciativa, apresentada pela vereadora Rita Rocha (PT), enfrentou resistência principalmente de vereadores ligados à administração anterior, incluindo ex-secretários do próprio Horta.
A votação expressa uma divisão política significativa. Os votos favoráveis foram de Aldair de Linda (PT), Adriana Costa (PDT) e Adelso Pereira (Avante). Os demais integrantes da Casa rejeitaram a proposta, incluindo representantes da base do atual prefeito, Washington Quaquá (PT), e ex-funcionários que atuaram no executivo durante a gestão de Horta, entre 2017 e 2024.
A rejeição ocorre poucos dias após Fabiano Horta conquistar uma cadeira na Câmara dos Deputados nas eleições de 4 de outubro, ao obter mais de 82 mil votos em todo o estado, sendo cerca de 50 mil em Maricá. A possibilidade de reconhecimento voltava a pauta após uma vitória eleitoral expressiva.
Vereadores que participaram da administração de Horta discursaram contra a homenagem. Entre eles, estão parlamentares que exerceram cargos na Prefeitura ao longo do governo anterior. Marcinho da Construção, por exemplo, justificou o voto contrário citando denúncias e investigações conduzidas pelo atual mandato do Executivo, incluindo auditorias relacionadas a contratos de aproximadamente R$ 101 milhões de aquisição de livros didáticos e supostas irregularidades em contratos emergenciais durante a pandemia.
Por sua vez, vereadores que apoiaram a proposta criticaram a postura dos colegas que, segundo eles, agem de forma incoerente ao rejeitar um reconhecimento a um ex-prefeito que foi eleito com votos expressivos. Adriana Costa destacou a contradição dos colegas, lembrando que participaram do governo e se beneficiaram de sua gestão, além de salientar o apoio de Horta em sua própria eleição para deputado.
O presidente da Câmara, Aldair de Linda, afirmou que sua posição foi influenciada pelo compromisso com o grupo político do qual faz parte, justificando seu voto favorável. Ele ressaltou o fato de que Fabiano Horta teria promovido espaço para diferentes lideranças e criado secretarias, incluindo membros hoje no Legislativo. Sua postura reflete, também, uma dissidência em relação ao atual prefeito, após anúncio de rompimento político recente.
Outro apoiador, Adelso Pereira, reafirmou seu alinhamento ao ex-prefeito, observando que sua participação na administração justificava o voto favorável, e ressaltou a importância do trabalho conjunto durante o mandato de Horta. Ricardinho Netuno (PL), líder de oposição, discorda rotundamente, alegando que as contas de Fabiano Horta foram rejeitadas pelo Tribunal de Contas e que, votar em sua homenagem diante de denúncias de fraudes e desvios relativos a programas municipais representa uma manifesta irresponsabilidade.
A votação revela um cenário de desunião no atual quadro político de Maricá, refletindo a reconfiguração das alianças após as eleições municipais de 2026. Apesar de Horta ser do mesmo partido do atual gestor, a maioria do Legislativo demonstra resistência a reconhecer oficialmente sua gestão e trajetória, evidenciando uma eventual fragmentação dentro do próprio grupo governista. A rejeição da homenagem, embora não tenha impacto na eleição de Horta à Câmara dos Deputados, simboliza uma derrota política no âmbito local e reforça as diferenças entre antigos aliados e a nova configuração do poder na cidade.
Acompanhe o Rio Press para mais notícias em tempo real.



