outubro 12, 2026
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12/10/2026

Governador eleito do Rio, Douglas Ruas escolhe continuar morando em São Gonçalo

O futuro governador do Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL), anunciou que não ocupará o Palácio das Laranjeiras, residência oficial do governo estadual. Sua decisão é de permanecer residindo em São Gonçalo, cidade onde nasceu e passou a maior parte de sua vida política, mesmo após tomar posse em janeiro de 2027.

Em entrevista recente, Ruas afirmou categoricamente que não pretende mudar-se para o palácio, construído no início do século XX pela família Guinle, e destacou que continuará vivendo com sua família na cidade de origem. Sua posição reflete uma preferência por manter suas raízes e rotina fora do tradicional palácio localizado na Zona Sul do Rio.

A prática de não morar na residência oficial não é inédita entre ex-governadores do estado. Cláudio Castro, que governou o Rio entre 2021 e 2026, também optou por residir fora do Palácio das Laranjeiras, preferindo uma residência particular na Zona Oeste da capital. Outros nomes históricos no cargo, como Leonel Brizola, Marcello Alencar e Sérgio Cabral, também ocuparem decisões semelhantes.

Ruas mantém forte ligação com São Gonçalo, município que administra desde 2021, por meio de seu pai, o prefeito Nelson (PL). Durante a campanha, reforçou sua identidade com as origens locais, apresentando-se como representante do “Rio real”, uma expressão utilizada por ele para contrastar sua experiência com a visão de uma parte do político acostumada à Zona Sul, onde está localizado o Palácio das Laranjeiras.

Apesar de decidir permanecer em São Gonçalo, o governador eleito precisará se deslocar até o Palácio Guanabara, sede do governo na capital, para exercer suas funções administrativas. O cenário reforça uma tendência de lideranças estaduais que optam por morar fora da residência oficial por questões de segurança e rotina pessoal.

O Palácio das Laranjeiras, projeto construído por encomenda de Eduardo Guinle entre 1909 e 1913, é um dos imóveis históricos mais expressivos do Rio. Sua arquitetura inspirada nos palácios franceses possui detalhes luxuosos, incluindo escadarias de mármore, salões decorados e mobiliário europeu. Desde sua construção, o edifício desempenhou diferentes papéis, primeiramente como residência de uma das famílias mais ricas do Brasil, posteriormente como residência presidencial e palco de eventos marcantes, como a assinatura do AI-5 em 1968. Após a fusão dos antigos estados do Rio de Janeiro e da Guanabara, em 1975, passou a ser residência oficial dos governadores, embora nem todos tenham escolhido morar nele.

Em 2018, o Palácio ficou conhecido nacionalmente após a prisão do então governador Luiz Fernando Pezão, feita pela Polícia Federal durante uma operação anticorrupção. Durante a gestão de Sérgio Cabral, o espaço era utilizado principalmente para eventos políticos, embora o próprio não residisse diretamente nele. Cláudio Castro também não adotou a moradia oficial, considerando questões de segurança.

Recentemente, o Governo do Rio reabriu o Palácio das Laranjeiras ao público, em 2026, oferecendo visitas guiadas a diferentes ambientes históricos, como o Salão Luís XIV, a biblioteca e os aposentos históricos, em uma iniciativa de valorização do patrimônio cultural estadual.

Dentro da estrutura do executivo estadual, o Rio possui três principais palácios históricos: além do Palácio das Laranjeiras, destacam-se o Palácio Guanabara, sede administrativa, e o Palácio de Brocoió na Baía de Guanabara, antigo imóvel de veraneio da família Guinle, que deixou de ser residência oficial após 2006.


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