O mercado financeiro brasileiro finalizou abril com sinais de otimismo, impulsionado por fatores externos e por uma postura mais firme do Comitê de Política Monetária (Copom). A influência dessas condições resultou na significativa queda do dólar, que atingiu o menor valor em mais de dois anos, e na recuperação do índice Ibovespa, após uma sequência de perdas.
Durante o mês, o dólar comercial fechou cotado a R$ 4,952 nesta quinta-feira (30), uma redução de R$ 0,049 em relação ao pregão anterior, correspondendo a uma queda de 0,99%. Essa valorização do real reflete uma desvalorização do dólar de 4,38% ao longo do mês e de 9,77% no acumulado do ano, posicionando a moeda brasileira entre as de melhor desempenho no período. A redução do dólar também é resultado da diminuição global na força da moeda americana e do movimento de investidores estrangeiros que buscaram ativos locais, como ações, ao venderem dólares.
No cenário monetário nacional, a estabilidade no aumento de juros foi um fator que favoreceu esse movimento. Na última quarta-feira, o Banco Central reduziu a taxa básica de juros, a Selic, para 14,50% ao ano, embora tenha demonstrado cautela ao indicar que futuras reduções acontecerão de forma gradual, devido a possíveis riscos inflacionários. Por sua vez, nos Estados Unidos, o Federal Reserve manteve as taxas de juros entre 3,50% e 3,75%, ampliando o diferencial de juros entre os dois países. Essa diferença estimula a valorização do real, tornando o Brasil mais atraente para investidores em busca de retorno.
Além do dólar, o valor do euro também recuou, fechando em R$ 5,811 nesta quinta, uma queda de 0,48%, atingindo o menor nível desde junho de 2024. Na agenda do mercado de ações, o Ibovespa apresentou uma recuperação, fechando em 187.318 pontos, com alta de 1,39%. Esse movimento foi influenciado pelo fluxo de recursos estrangeiros e pela melhora nas perspectivas quanto à política monetária, com a expectativa de que o Banco Central possa realizar cortes de juros mais graduais, o que reforça uma percepção de estabilidade econômica. Apesar do avanço nesta quinta, o índice permanece próximo dos níveis de fechamento do mês passado, após uma série de perdas recentes.
No âmbito econômico doméstico, investidores observaram dados do mercado de trabalho e decisões políticas, porém com impacto limitado nas cotações. Indicadores indicaram resiliência da economia brasileira, sugerindo menor espaço para cortes agressivos na taxa de juros no curto prazo.
No mercado internacional de petróleo, a volatilidade continuou acentuada devido às tensões geopolíticas no Oriente Médio. Os preços do Brent, referência internacional no Brasil, oscilaram bastante ao longo do dia, superando os US$ 120 em certos momentos, antes de fecharem praticamente estáveis em US$ 110,40. O WTI, dos Estados Unidos, terminou em US$ 105,07, uma queda de 1,69%. As incertezas sobre o fornecimento global, especialmente envolvendo Estados Unidos, Irã e Israel, além das restrições no Estreito de Hormuz, contribuíram para essas oscilações, mantendo os preços elevados e influenciando a inflação global.
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