julho 16, 2026
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16/07/2026

Santa Sé reafirma que fiéis podem participar de missas tradicionais em plena comunhão com a Igreja

A recente declaração da Santa Sé acerca da situação canônica da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), seguida de nota oficial da Arquidiocese do Rio de Janeiro, reacendeu debates sobre a participação em celebrações litúrgicas tradicionais. Especialmente, questiona-se se fiéis que apreciam a Missa Tridentina podem continuar participando dela e onde encontrar Missas em plena comunhão com a Igreja, em tempos de excomunhão da fraternidade.

A resposta oficial é afirmativa. Segundo a Arquidiocese do Rio, os fiéis que preferem o rito antigo do Missal Romano encontram celebrações legítimas e autorizadas, conduzidas por sacerdotes em comunhão plena com o Papa e os bispos da Igreja Católica. A orientação é que esses fiéis evitem participar de cerimônias promovidas pela Fraternidade São Pio X após os recentes acontecimentos, reforçando a importância da unidade e da comunhão eclesial.

Para auxiliar os interessados, o portal disponibiliza um guia com locais onde a Missa Tridentina é celebrada regularmente na região do Grande Rio, de acordo com informações fornecidas pela Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney e pela Delegação para os fiéis vinculados ao rito anterior à Reforma Litúrgica de 1970.

A Missa Tridentina, diferente do que muitos pensam, não é simplesmente uma celebração em latim. Ela caracteriza-se por um conjunto específico de orações, gestos, rubricas e estrutura litúrgica, preservados no Missal Romano de 1962, anterior à reforma pós-Vaticano II. Uma missa pode ocorrer em latim sem ser tridentina, como as celebrações de sábado e domingo na Igreja de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores, que seguem o rito atual, mas acontecem em latim.

Outra compreensão comum, de “missa de costas para o povo”, também precisa ser esclarecida. A forma antiga do rito exige que o sacerdote celebre voltado para o altar-mor, simbolizando a direção da oração. Essa postura é interpretada como uma atitude teológica, voltada à oração voltada para Deus, e não como um afastamento da comunidade. Ainda hoje, celebrações “de frente para o povo” são autorizadas, mantendo a diversidade na prática litúrgica.

A Fraternidade São Pio X, fundada em 1970 por Dom Marcel Lefebvre, dedicou-se à preservação da formação sacerdotal tradicional e do Missal de 1962. Após uma relação marcada por altos e baixos, especialmente por consagrações episcopais sem respaldo papal, a fraternidade entrou em crise. Em julho de 2026, essas ações resultaram na declaração de excomunhão pela qual a Igreja considera cismática a atitude. A Arquidiocese do Rio reforça a recomendação de que os fiéis não participem de celebrações promovidas por essa comunidade, incentivando-os a procurar alternativas em comunidades plenamente integradas à vida da Igreja.

Apesar das tensões, a Missa Tridentina permanece vigente e acessível. Em pronunciamento divulgado nas redes sociais, o delegado arquidiocesano para os fiéis vinculados ao rito antigo afirmou que a liturgia não é propriedade exclusiva de qualquer grupo e destacou que a Igreja, enquanto instituição, continua ofertando essa forma de celebração. Ele também aconselhou aos fieis que valorizam a liturgia tradicional que mantenham sua fidelidade, sem que isso implique ruptura com a comunhão com o Papa e os bispos.

Por fim, a nota da Arquidiocese reforça que o apreço pela liturgia antiga não deve gerar separação da unidade eclesial. Comunidades legítimas continuam celebrando de acordo com o Missal de 1962, preservando a comunhão plena com a Igreja. Assim, os fiéis que desejarem participar da Missa Tridentina podem fazê-lo sem necessidade de abandono da comunhão com o magistério e a hierarquia eclesial.

Para quem busca participar regularmente, o guia do portal indica os locais disponíveis na região do Grande Rio, incluindotemplos no Rio de Janeiro e em Nova Iguaçu, com horários e detalhes de celebrações. Os sacerdotes responsáveis também atendem confissões antes ou após as celebrações, garantindo acompanhamento pastoral aos fiéis.


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