Um levantamento conduzido pela Universidade Federal de Minas Gerais aponta que o uso excessivo de dispositivos móveis entre idosos com mais de 60 anos está ligado a problemas de saúde mental e vulnerabilidades digitais. A pesquisa, que analisou os 20 estudos mais relevantes da última década, abrangeu cerca de 50 mil idosos de diferentes países, incluindo aproximadamente 11 mil brasileiros.
A inclusão digital crescente tem levado muitos idosos a utilizarem diariamente celulares, tablets e computadores, principalmente para entretenimento, aprendizado e conexão social. Um exemplo anotado pelos pesquisadores é o aumento do uso de plataformas para assistir vídeos, aprender técnicas manuais e interagir com grupos. Uma aposentada relatou que possui celular, tablet e notebook, refletindo essa ampla navegação.
O estudo revela que a “nomofobia” — medo de ficar sem conexão — também afeta essa faixa etária. Segundo especialistas, essa ansiedade surge tanto por falta de bateria quanto por ausência de internet, indicando uma dependência crescente das tecnologias digitais. Associado a isso, há maiores dificuldades em identificar notícias falsas, o que aumenta a vulnerabilidade a golpes virtuais. Os especialistas ressaltam que ainda não há um consenso sobre quanto tempo de uso é considerado saudável para idosos e que, atualmente, essa questão é pouco explorada.
Além dos riscos à saúde mental, o uso excessivo de telas tem impacto na qualidade do sono. Um exemplo prático é o de Ivone, de 80 anos, que passa horas conectada à noite e teve sua rotina prejudicada. Sua filha afirmou que, apesar de participar de atividades online, ela perdeu parte de seus compromissos presenciais devido ao uso do aparelho. Ivone, contudo, encontra benefícios na digitalização, assistindo a vídeos, acompanhando notícias e aprendendo novas receitas.
Por fim, os especialistas destacam a importância de equilíbrio na utilização da tecnologia por idosos. Avaliar conteúdo, evitar estados de ansiedade ou isolamento, além de acompanhar e orientar familiares, são medidas essenciais. O foco deve estar na promoção de práticas que beneficiem o bem-estar, segurança e integração social, considerando sempre a vulnerabilidade individual. A pesquisa reforça a relevância de estratégias de letramento digital voltadas à terceira idade, especialmente diante do crescimento do uso de tecnologias nesse grupo.
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