junho 22, 2026
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22/06/2026

Denúncias de maus-tratos e descarte de pertences marcam crise na creche clandestina em São Gonçalo

Na cidade de São Gonçalo, denúncias envolvendo maus-tratos e o descarte de pertences de crianças na Creche Cantinho do Céu, localizada no bairro Pacheco, ganharam destaque. Segundo relatos de responsáveis, objetos pessoais das crianças foram jogados no lixo e expostos às condições adversas, como chuva, sem qualquer aviso ou possibilidade de retirar os itens previamente. As informações surgiram após a divulgação de imagens mostrando pertences descartados na calçada frente ao imóvel, que funcionava de forma irregular na gestão municipal.

De acordo com uma das responsáveis, Rayssa Catarina do Nascimento, mãe de uma criança que sofreu agressões na creche, documentos compartilhados em grupos de pais indicam que roupas, brinquedos e objetos pessoais foram colocados em sacos de lixo, deixados do lado de fora. A proprietária do imóvel, que alugava o espaço à creche, teria autorizado a remoção e o descarte dos pertences pelos proprietários do local, alegando necessidade de limpeza para a locação do imóvel. Rayssa relatou dificuldades de recuperar os pertences das crianças, mesmo após várias tentativas de contato com a direção, que, até o momento, não respondeu às mensagens.

Responsáveis também relatam que muitas das crianças frequentavam a unidade praticamente o dia todo, de manhã até o início da noite, motivo pelo qual mantinham roupas e objetos na creche. Além disso, moradores revelam que a mensalidade, no valor de R$ 400 a R$ 450, foi paga referente ao mês de maio, mas os valores não foram devolvidos após o encerramento das atividades. A proprietária da creche assegurou, em contato com os responsáveis, que reembolsaria os valores pagos, embora não tenham sido tomadas providências até o momento.

A situação do filho de Rayssa, que permanece sem vaga na rede pública de ensino e sem acompanhamento psicológico, também é motivo de preocupação. Ela informou que tentou realizar a pré-matrícula do filho, mas ele segue sem atendimento escolar ou psicológico. A ausência de uma vaga adequada tem dificultado a rotina da família, especialmente no aspecto laboral, devido à impossibilidade de deixar a criança sob cuidado adequado. A Secretaria Municipal de Educação de São Gonçalo confirmou que há vagas remanescentes na rede municipal e que, caso seja disponibilizada uma vaga, o funcionamento será imediato. Para casos sem vaga, há uma expectativa de espera até que novas oportunidades sejam abertas.

O Conselho Tutelar de São Gonçalo declarou que, após ser acionado, solicitou à Secretaria de Educação a busca por vagas para as crianças afetadas. Ainda segundo o órgão, o encaminhamento às redes de proteção social e à assistência psicológica foi realizado ao Núcleo de Atenção à Criança e ao Adolescente, tendo acompanhamento em andamento. As equipes de fiscalização também atuaram na unidade, que, em maio, foi considerada conectada a uma atividade clandestina, pois funcionava sem alvará de funcionamento e sem autorização do Conselho Municipal de Educação. A creche não possuía documentação regular e permanecia fechada na ocasião da vistoria, atraindo a ação do Ministério Público.

A investigação conduzida na 74ª Delegacia de Polícia de Alcântara está em andamento, com depoimentos de testemunhas e diligências para esclarecer as denúncias de agressões, que começaram a circular em maio. Responsáveis pelas crianças relataram que mudanças comportamentais e marcas no corpo passaram a ser evidências de maus-tratos, com relatos de agressões físicas, humilhações, negligência e uso de medicação sem autorização. Vídeos obtidos por famílias mostram cenários de punições físicas e situações de violência, como tapas, puxões de cabelo e tentativas de sufocamento, aumentando a preocupação sobre o que teria ocorrido na creche.

Deixando claro o quadro de precariedade, ex-funcionários relataram o ambiente como pouco estruturado, com falta de colchões, brinquedos adequados e itens básicos de higiene. Relatos também indicam que, além de condições insalubres, utensílios de cozinha eram lavados com produtos inadequados, como shampoo infantil, devido à escassez de detergente. Tentativas de denunciar essas condições não foram suficientes para evitar o agravamento da situação.

O caso permanece sob investigação, aguardando desfechos e possíveis ações das autoridades competentes.


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